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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Doce de nuvem



Ao olhar as nuvens pela janela do quadro ambulante, pensei que estivessem penduradas por fios de nylon, amarradas num prego preso no azul do céu.
Será possível tocar a textura das nuvens?Ou em uma trama de gotas, elas fugiriam com velocidade de vapor?
Parecem-me tão fluidas livres em seu planar. Viajam peregrinas pela umidade do ar.
Brisa sempre branca.
Talvez tenham gosto de algodão doce, que de tão açucarado fica preso nos cantos de dentro da boca.
Ora alvas, ora cinzas.
Talvez sejam geladas, frescas como o orvalho do gramado.
Às vezes um pouco mais salgadas, como as nuvens que sobrevoam o Mar...
Entre nuvens carregadas já saturadas e nuvens que apenas nublam, vem o ato distraído, lúdico., de tentar achar figuras escondidas.
As nuvens também choram e ganham corpo através das lágrimas
Transformam-se do claro para o escuro.
NuanceS de palidez, alvo inalcançável.  
Alguns dizem que são apenas água disfarçada...
Não sei se todos os dias são dia de nuvem.
Ou sei. Não sei...







quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ecoando passos



Será que dá jeito depois?

Quem vai querer?

Ouvir tocar a valsa que não fiz?

O mesmo lamentar de outrem

A severa nota a riscar

Como quem não quis

Era velha valsa sim

Retumbava por aí

Pótrm,nunca inagurará em mim.

Eu quis.

Mas quem mais quisera assim?

Ele não a tocara...

Cantei em solo.

Foi assim.

Assim que foi.

Ecoando entre motriz

Vós sabe que sim.

Mesmo que quiserás não

Quimerás?

Quisera a mim?

Entere milhares

Eu era a mil.

Era vil.

Deveria cessar

Mais nada entoar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Abelha camuflada

Dedicado à Melina Garcia Gorjon

Entre tantos zumbidos e murmúrios, ela voava.

Persistia.

Voava levemente, sem planos de vôo...

Entre zig e zags, continuava solitária sua doce jornada.

Sem destino, apenas movida por seus desejos.

Era pequena, mas tinha sonhos de Mel como toda Abelha.

Atraída pelas flores que a evocavam delicadamente com suas cores e aromas.

Era uma abelha escondida, quase sempre distraída.

Tinha altivez em seu planar.

Suas asas pareciam dançar.

Era uma abelha bela, sofrida....

Exalava cheiro de baunilha.

Raros são aqueles capazes de encarar os olhos grandes daquela açucarada voadora,

Era ela muito rápida e incapaz de captura.

Eram poucos que conseguiam perceber a pinta em seu semblante de Abelha.

Tinha expressão terna de menina, abelhinha.

Fêmea auto-gerada.

Partenogênese consumada.

Tinha força de Abelha Rainha.

Encanto majestoso.

Nobre de uma colméia libertaria.

Muitos a temiam...

Medo da abstrusa ferroada.

Eu há muito a esperava...

Desejava sua companhia de Mel.

Minha Abelha querida.

Resguarde a ferroada,pois dela brota a eterna partida.....

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Interzona/Insônia

(Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar,Salvador Dali)


As quatro paredes que não vejo, mas percebo. Entre travesseiros inquieta mudo desconfortável entre todos os lados. Está escuro, mas vejo as luzes que em forma de feixes atravessas as janelas, vislumbro o interruptor da lâmpada, que fica fluorescente na escuridão.
Luzes verdes. Não durmo.
Sou engolida pela insônia.
Tento ouvir o barulho que o silencio comete, no entanto não há silencio ,ouço um apito distante e um gato miando. Barulhinhos da noite.
Apenas eu emudeço na madrugada enquanto acordada.
Penso em cores, talvez melancias. Teclas, teclado, pianos.
Pareço pauta sem barra e compasso perdido.
Montanha que vira iguana, olho que vira peixe.
Um smile.
Não há silêncio no território onírico, cavidade de minhoca.
Recordo-me das “Confissões de Lúcio”,e tudo parece púrpura.
Um valete aparece com uma carta de Virginia Wolf.
A epístola narra um curta-metragem.
Sinto cheiro de batata rufles de mel com mostarda.
Caminho entre tampinhas de garrafas e embalagens de yakut.Quero brinca de futebol de botão.
Formiga, com cheiro de formiga.
Estou formigando, sinto que vou cair,onde está o chão?
Vôo e controlo a aerodinâmica do meu corpo.
Quero comer dama da noite e engolir o perfume adstringente.
Durmo...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A folha caída


Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.


Diante da surpresa a folha caída

sente que está viva

Surpreendida pelo vento

que a leva

Carregada,passiva...

Entregue sem destino

Provando o gelado da seiva

Ardendo na cicatriz arrancada

Recém-nascida.

Parto,que inicia a partida!

Na não permissão vida

que brota a inquietude.

Aonde cessa o caminho da folha?

Quem sabe está

se diferencie em sua queda

Causando inveja,naquelas

que permanecem presas.

Caindo....

Abdicando de ser parte

para tornar-se todo.

A vida verde,macia está dentro

Intimamente protegida

Mesmo quando no chão

parecendo seca,morta.

Permanece viva.

Livre com o vento.


Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que me sinto boba.


"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.E só o amor faz o bobo."
Clarice Lispector



Por que me sinto boba.

Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.

Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.

Boba, não vejo, mas sim enxergo.

Boba, perco o sono e me atraso.

Boba,entrego-me, ao todo e inteira.

Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.

Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.

Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.

De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.

Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.

Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.

Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...

Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.

Boba por esperar...

Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.

Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.

Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.

Ainda falta tanta argúcia.

Muito boba por que amo...

Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.

Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.

sábado, 30 de abril de 2011

Depois do tempo próprio






O vento soprou sobre o castelo de areia
Meigo modo maquiado
Alvéolo santificado
Desconstruído, despetalado
Mariposa perdida
Recém emancipada
Desencasulada
Meigo medo doce
Borboleta colorida
Camuflada, inerme
Fraca ,frágil
Quebradiças asas
Borboleta desprotegida
Delicado desamparo
Mariposa adormecida
Fosca melancolia
Meigo sono lento .