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quinta-feira, 7 de março de 2013

MULHER, A Multiface da multidão




Entre curvas sinuosas
Fulguras indefinidas
Vasto ventre
Vulgo seios.
Olhos garridos
Por detrás do sorriso
A voz que arde no grito.
O corpo não dado.
A luta herdada.
Gozo que causa
Causa que goza.
Para fora da mundana
e da senhora
Além da mãe e da puta
Mutilando a dada feminilidade.
Maldita, fodida.
 Eglodem frutos diversos
Todos femininos.
Na face que é múltipla.
A Mulher que é multidão.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Na beira da varanda

( Marília ) 
Eterno retorno

No meio de todos os guardados
Conservados na mais severa nostalgia
Entre  rabiscos & lápis  desapontados
O caco de vidro, do copo quebrado,reluzia.
O cansaço se mantinha, afunilado entre o não saber como se sente.
Olhos fazendo mímica.
A pele dormente que arrepiava na  penumbra.
A sombra se punha
O sono já ilimitado e por horas ultrapassado
O corpo persistia.
O céu era de ametista.
-Um café sem açúcar,por favor.  

domingo, 21 de agosto de 2011

Minhas Mulheres


Boca de vermelho tinto

Cabelos curtos, cabelos longos

Negros, loiros, ruivos...


Mãos novas, mãos enrugadas

Hermanas, amigas!

Mãos dadas!


Amazonas, fadas

Princesas, estrelas

Guerreiras!


Entre mil Sofias e Alices

Lágrimas negras.

Águas-vivas!


Abraços prendidos

Perfume, gineceu

Doce deleite.


Maçãs douradas

Mulheres ousadas

Segredos dentre as saboneteiras.


Compreensão materna

Colo de amiga

Guardiãs,sacerdotisas!


Violento veneno

Força femínea

Delicadeza ardilosa.


Amoras

Margaridas

Meninas.


Nos seios o mistério

O íntimo que palpita

Por todos os desejos.


Minhas mulheres....




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que me sinto boba.


"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.E só o amor faz o bobo."
Clarice Lispector



Por que me sinto boba.

Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.

Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.

Boba, não vejo, mas sim enxergo.

Boba, perco o sono e me atraso.

Boba,entrego-me, ao todo e inteira.

Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.

Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.

Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.

De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.

Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.

Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.

Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...

Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.

Boba por esperar...

Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.

Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.

Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.

Ainda falta tanta argúcia.

Muito boba por que amo...

Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.

Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.

sábado, 2 de julho de 2011

Achado:muito procurado,há tempos perdido...


("Roda de bicicleta", Marcel Duchamp)


"A obra de arte, fundamentalmente, consiste numa interpretação objetivada duma impressão subjetiva. Difere, assim, da ciência, que é uma interpretação subjetiva de uma impressão objetiva, e da filosofia, que é, ou procura ser, uma interpretação objetivada de uma impressão objetiva.
A ciência procura as leis particulares das cousas - isto é, aquelas leis que regem os assuntos ou objetos que pertencem àquele tipo de cousas que se estão observando. A ciência é uma subjetivação, porque é uma conclusão que se tira de determinado número de fenômenos. A ciência é uma cousa real e, dentro dos seus limites, certa, por que é uma subjetivação de uma impressão objetiva, e é, assim, um equilíbrio."
Fernando Pessoa
Trecho de "A Obra de Arte: Critérios a que Obedece".




Por muitos anos procurei esse fragmento de texto, pois na época que o li pela primeira vez quase nada entendi.

Perdemos-nos então...

Reencontramo-nos, agora.

Mas não sei se poderei dizer que o compreendi por absoluto .

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lettre au vieil amoureux



Sei que já faz muito tempo que não conversamos e tempo maior ainda que não nos vemos, mas depois de tanto hesitar resolvi falar o que sempre evitei dizer, pra ser honesta não sei ao certo por onde começar e vejo minha letra trêmula ao riscar o papel,mas vou tentar verbalizar o que sinto nessa aventurada carta.

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.

Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.

Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.

Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.

Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.

Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.

Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.

Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.

Gostávamos de nos machucar.

Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.

Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.

Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.

Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.

Os anos passaram...

A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.

Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.



Envelopei mas não enviei.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

As duas camas ou Meu morango no abismo


Dedicado à Ágatha Zeller

(Ágatha Zeller)

As duas camas

Sempre estiveram lá

No escuro e no claro

No inverno e na primavera

Lado a lado

Sereníssima!


Ainda me lembro

De quando você era tão pequena

E medrosa

Escondia-se na minha cama

Cuidava de ti


Ainda me lembro

De quando eu já era tão grande

E melancólica

Chorava no seu peito

Cuidavas de mim


Sereníssima!

Sereníssima!

Sereníssima minha!


A fala minha a escuta sua

O desabafo seu o calar meu

Olhos seus

Caracóis meus

Sardas suas!


Ainda sinto os grãos de areia

Saindo de seus sapatos

Procuro avidamente as sardas

Eternamente as sardas!


Nossa vida divida

Tua dor compartida

Minhas angustia repartida

Irmãs!


Irmãs!

...

Irmãs!


Amor saudoso curado com um sorriso

O abraço mais sincero e o grito mais estúpido

Irmãs!

Eternamente

Meu morango no abismo...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ensaio sobre o Amor II








Dedicado à Larissa Vicentini








Ressalvas :
Posso tentar ensaiar
Mas o amor é inflexível para os ensaios
É tão cheio de suas particularidades
Tem seus mecanismos próprios e obtusos
Não cabe nos versos nem mesmo nas sentenças
Parecendo que falta vocabulário capaz de expressar a linguagem dos afetos.






“O amor é acordar para a realidade do sonho
É vencer através do silêncio.É ser feliz até com um pouco quando,muito não é bastante
Amar é sonhar o sonho de quem sonha com você.É sentir saudades.É chegar perto da distância.”






Ensaio sobre o amor




Tantas são as vias
Tantas são as formas
Desse tal Amor

Conjugo por muitos o verbo amar
No rosto de minha mãe
Na fala de meu pai
No abraço de minha irmã
No sorriso de meu irmão
Nas mãos amigas
Nos olhos cúmplices
Em um único beijo

Conjugo por muitos o verbo amar
De tanto que existo pra adorar
Empatia a disseminar
Amo no meu ciúme calado
Adoro na minha saudade abafada
No sono compartilhado
Na mania aturdida de afetuar




Afeição pelo outro
Pelo que conheço
e pelo que espero compreender
Idolatro os bem-feitos
E amenizo os defeitos;

Ternamente...
Carinhosamente...
Conjugo por muitos o verbo amar.









Ensaio sobre o Amor I

Dedicado à Larissa Vicentini





sexta-feira, 25 de março de 2011

Heart-shaped Box

Sinto-me presa na caixa com formato de coração
Como uma boneca de porcelana passiva....
Com olhos minuciosamente desenhados
Cabelos e sorrisos falsos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O pequeno príncipe e a raposa




"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada
.- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda
.- Ah! Desculpa, disse o principezinho.- Após uma reflexão, acrescentou:- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo......
Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos......
Assim o principezinho tivou a raposa. [...]"
Quando tu vens
Sempre estou a cuidar
De sua doce chegada
Preparo o coração
Como a raposa, fico inquieta
Agitada
E quando sua vinda é dada
Conheço a plena felicidade
Mas sempre tem a hora da partida
Do Pequeno e eterno,Príncipe ...