"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
quinta-feira, 7 de março de 2013
MULHER, A Multiface da multidão
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Na beira da varanda
domingo, 21 de agosto de 2011
Minhas Mulheres
Boca de vermelho tinto
Cabelos curtos, cabelos longos
Negros, loiros, ruivos...
Mãos novas, mãos enrugadas
Hermanas, amigas!
Mãos dadas!
Amazonas, fadas
Princesas, estrelas
Guerreiras!
Entre mil Sofias e Alices
Lágrimas negras.
Águas-vivas!
Abraços prendidos
Perfume, gineceu
Doce deleite.
Maçãs douradas
Mulheres ousadas
Segredos dentre as saboneteiras.
Compreensão materna
Colo de amiga
Guardiãs,sacerdotisas!
Violento veneno
Força femínea
Delicadeza ardilosa.
Amoras
Margaridas
Meninas.
Nos seios o mistério
O íntimo que palpita
Por todos os desejos.
Minhas mulheres....
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Por que me sinto boba.

Por que me sinto boba.
Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.
Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.
Boba, não vejo, mas sim enxergo.
Boba, perco o sono e me atraso.
Boba,entrego-me, ao todo e inteira.
Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.
Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.
Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.
De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.
Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.
Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.
Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...
Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.
Boba por esperar...
Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.
Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.
Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.
Ainda falta tanta argúcia.
Muito boba por que amo...
Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.
Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.
sábado, 2 de julho de 2011
Achado:muito procurado,há tempos perdido...

Por muitos anos procurei esse fragmento de texto, pois na época que o li pela primeira vez quase nada entendi.
Perdemos-nos então...
Reencontramo-nos, agora.
Mas não sei se poderei dizer que o compreendi por absoluto .
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lettre au vieil amoureux

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.
Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.
Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.
Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.
Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.
Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.
Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.
Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.
Gostávamos de nos machucar.
Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.
Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.
Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.
Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.
Os anos passaram...
A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.
Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.
Envelopei mas não enviei.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
As duas camas ou Meu morango no abismo

(Ágatha Zeller)
As duas camas
Sempre estiveram lá
No escuro e no claro
No inverno e na primavera
Lado a lado
Sereníssima!
Ainda me lembro
De quando você era tão pequena
E medrosa
Escondia-se na minha cama
Cuidava de ti
Ainda me lembro
De quando eu já era tão grande
E melancólica
Chorava no seu peito
Cuidavas de mim
Sereníssima!
Sereníssima!
Sereníssima minha!
A fala minha a escuta sua
O desabafo seu o calar meu
Olhos seus
Caracóis meus
Sardas suas!
Ainda sinto os grãos de areia
Saindo de seus sapatos
Procuro avidamente as sardas
Eternamente as sardas!
Nossa vida divida
Tua dor compartida
Minhas angustia repartida
Irmãs!
Irmãs!
...
Irmãs!
Amor saudoso curado com um sorriso
O abraço mais sincero e o grito mais estúpido
Irmãs!
Eternamente
Meu morango no abismo...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ensaio sobre o Amor II

Posso tentar ensaiar
Mas o amor é inflexível para os ensaios
É tão cheio de suas particularidades
Tem seus mecanismos próprios e obtusos
Não cabe nos versos nem mesmo nas sentenças
Parecendo que falta vocabulário capaz de expressar a linguagem dos afetos.
É vencer através do silêncio.É ser feliz até com um pouco quando,muito não é bastante
Amar é sonhar o sonho de quem sonha com você.É sentir saudades.É chegar perto da distância.”
Tantas são as formas
Desse tal Amor
Conjugo por muitos o verbo amar
No rosto de minha mãe
Na fala de meu pai
No abraço de minha irmã
No sorriso de meu irmão
Nas mãos amigas
Nos olhos cúmplices
Em um único beijo
Conjugo por muitos o verbo amar
De tanto que existo pra adorar
Empatia a disseminar
Amo no meu ciúme calado
Adoro na minha saudade abafada
No sono compartilhado
Na mania aturdida de afetuar
Afeição pelo outro
Pelo que conheço
e pelo que espero compreender
Idolatro os bem-feitos
E amenizo os defeitos;
Ternamente...
Carinhosamente...
Conjugo por muitos o verbo amar.
Ensaio sobre o Amor I
terça-feira, 29 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Heart-shaped Box
Sinto-me presa na caixa com formato de coração
Como uma boneca de porcelana passiva....
Com olhos minuciosamente desenhados
Cabelos e sorrisos falsos.
quarta-feira, 23 de março de 2011
O pequeno príncipe e a raposa

Sempre estou a cuidar
De sua doce chegada
Preparo o coração
Como a raposa, fico inquieta
Agitada
E quando sua vinda é dada
Conheço a plena felicidade
Mas sempre tem a hora da partida
Do Pequeno e eterno,Príncipe ...

