"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
domingo, 22 de julho de 2012
Bilhete etílico
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Ecoando passos

Será que dá jeito depois?
Quem vai querer?
Ouvir tocar a valsa que não fiz?
O mesmo lamentar de outrem
A severa nota a riscar
Como quem não quis
Era velha valsa sim
Retumbava por aí
Pótrm,nunca inagurará em mim.
Eu quis.
Mas quem mais quisera assim?
Ele não a tocara...
Cantei em solo.
Foi assim.
Assim que foi.
Ecoando entre motriz
Vós sabe que sim.
Mesmo que quiserás não
Quimerás?
Quisera a mim?
Entere milhares
Eu era a mil.
Era vil.
Deveria cessar
Mais nada entoar.
sábado, 20 de agosto de 2011
Procurando no vazio

Eu andava pelas ruas, fazendo o mesmo caminho que diariamente faço, desviando de um ou outro obstáculo, mecanicamente ultrapassando os desníveis das calçadas e parando em cada esquina, esperando os carros passarem. Era final de mais um dia, outra vez uma semana, dentro da rotina marcante na sucessão dos dias,Estava cansada,tinha a mente e o corpo esgotados.Sentia uma leve melancolia,que alguns associariam à solidão.
Pensei no que iria fazer ao chegar a minha casa. Não senti vontade de fazer coisa alguma. Percebi que olhava alheia para tudo ao meu redor, o trajeto não me atraia, não conseguia sentir nenhuma vivacidade ao observar as casas e vidas alheias.
Foi então que notei o vazio em mim, uma ausência plena que ainda não entendo.
Pensei em mecanismos de preencher esse buraco de minha alma, pensei em correr, gritar e chorar. Nada me estimulou.
Elenquei coisas que pudessem me aliviar uma barra de chocolate meio amargo, um trago, uma xícara de café ou uma dose de conhaque; porém nada elegi.
Vislumbrei por alguém, minha mãe, meu pai, um amigo, um inimigo, simplesmente alguém. Um toque, um abraço, um beijo, nada era aquela minha parte que não tinha.
Desse modo cogitei que talvez o que me faltava fosse aquela religiosidade, aquela devoção solene, que exige rituais e premissas, aquele amor que parece confortar, aquela fé que acolhe e remove as angustias, aquele doce purificar, que os outros costumam chamar de Deus e eu de vazio.
Nesse meu vácuo encontrei talvez uma resposta, contudo uma resposta em vão, por que há muito já não acreditava. Exaltando toda a razão me sentia desprovida de recursos parar ficar repleta. Sentia os poros abertos e indefesos, eu afrontava a vida sem nenhuma armadura, como um molusco sem concha.
Evoquei minha fidúcia antiga, e chamei meu anjo da guarda, e nada aconteceu.
Voltei pra casa exasperada, talvez fosse pelo atrevimento de não acreditar que eu não receberia. E quanto ao filho pródigo?
Seria eu a ovelha desgarrada?
Enquanto me sinto a ovelha negra, e aspiro por esta.
No entanto o vazio me consumia. Procuro meu guardador de rebanhos.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Dissimulação acompanhada
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Meus prazeres Amelie Poulain

Caminho sozinha pela praia, é o fim de um dia ensolarado,o céu está alaranjado e roxo,sinto os nuances de cores penetrando minha pele.Ando só.descalça deixo pegadas na areia molhada,entre intervalos descompassados ondas atingem meus tornozelos espirrando uma água delicadamente gelada em meus joelhos.Quando uma onda mais forte me alcança,sinto o Mar subir até minha boca,deixando um sabor salgado em meus lábios.
Sinto a maresia, fundindo-se ao meu rosto, alastrando-se por todo meu corpo. Me sinto como uma derivação da brisa,protegida pela maresia,selando seu cheiro impregnado em minha memória.
Respiro.
Tomo meu primeiro gole. Temerosa de queimar a língua.
O que me dá prazer não é o Café em si, é o ato de tomar café.
Acordo, apressada.
Será que ainda estará lá?
Talvez não, já são 9 horas da manhã, já deve ter se esgotado.
Corro descalça ainda de pijama, alcanço a varanda que me leva ao jardim.
Caminho ao encontro. Repleta de esperança. Primeiro um pé depois o outro.
Piso na grama e sinto as gotículas da madrugada ainda presas nas hastes do gramado. Dou alguns passos para sentir melhor. Passeio sobre a terra molhada. Percebo meus dedos penetrando o solo.
O que me dá prazer não é diretamente o orvalho, mas minha expectativa correspondida por ele.
Abro a janela do carro.
Coloco minhas mãos para fora, esticando ao máximo que posso meus braços, procurando o vento. Tento segura-lo entre meus dedos, Ele escapa.
Busco enxerga-lo, só vejo a paisagem, o vento não foi feito pra ser visto. De onde vem e pra onde vai o vento. Imagino que viaje ele bastante. Deve conhecer muita gente.
Conte-me vento seus relatos e histórias do mundo!
Entrego-me curiosa quero ir junto, sinto-me purificada por meu encontro com o vento, Não consigo pensar em nada além dele.
O que me dá prazer é justamente o vento.
Um brinde ao Hedonismo permitido e legalizado
Aos prazeres discretos e ocultos
E que todos possam se perder nos encantos proibidos....
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Reconhecimento
domingo, 30 de janeiro de 2011
Há um ideal?

Não me tomo como intelectual, no entanto me sentia viciada nesse emaranhado de discursos tão entorpecentes. Percebia todos os meus gestos como relevantes ao panorama global, acreditava que todos meus pensamentos eram um grito louvável de subversão capazes de movimentar o mundo. Concebia a idéia do “Bom selvagem”de Rousseau , destruído e moldado por uma sociedade diligente e lucrativo.Me rebelava com tudo que pudesse me parecer tradicional e padronizado.Sobretudo alguém com esperanças nos seres humanos.
Então pergunto, e agora?
Quais são as causas, quando sinto que não sou nada além de uma peça desencaixada no quebra-cabeça social. Será mesmo que posso fazer parte da diferença?
Olho pessoas nas ruas andando alheias umas às outras, como se não compartilhassem dos mesmos dramas, como se não doessem e sangrassem do mesmo jeito.
E o que faço eu agora?Ainda sangro igual?Devo dar o peixe ou ensinar a pescar àqueles que me pedem uma moeda?
Temo tornar-me aquilo que sempre repudiei; individual, egoísta e descrente.
Participante de um contexto partícula, membro privilegiado de um esquema de classes. Cego e indiferente ao meu redor. Trocando a empatia por apatia.
Apego-me a frase do filme Edukators que afirma “Toda coração é uma célula revolucionaria”, onde adoto a Revolução como um organismo em construção.
Tentando resistir e ser o que gostaria de ser.
Há um ideal?


