"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Para ontem
quinta-feira, 7 de março de 2013
Disfarce de cetim
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Na beira da varanda
domingo, 22 de julho de 2012
Bilhete etílico
domingo, 15 de julho de 2012
Sempre ia
terça-feira, 1 de maio de 2012
Como esquecer
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Doce de nuvem
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Corpo de fundo

As palmas dos pés ardiam, os dedos adormecidos nada sentiam, já havia peregrinado por um longo caminho. Ela não tinha noção do espaço que ocupava no trajeto,mal enxergava o horizonte,não tinha um rumo exato apenas se movia.Estava cega,não conseguindo mirar nada alem de dois passos no chão,seu campo visual era embaçado e restrito,não cabia nenhum detalhe naquele momento.Seus joelhos tremiam já exaustos,as coxas formigavam estressadas pelo esforço que iam alem daquela estrutura.Sentia como se sua cabeça tivesse sido separada de seu corpo,sendo que seus membro movimentavam-se de forma fissurada,enquanto sua mente ainda estava parada,inerte naquele quarto do quinto andar.Parecia que haviam lhe tirado todo o sangue,invadida por um frio cortante em pleno verão de Janeiro.Não corria pois não haveria ar suficientemente capaz de agüentar seu desejo de sumir dali.Apenas caminha com pouco fôlego,incerta das ruas que a percorriam.Todo a pele erriçada,doía como um rio de navalhas a penetrar-lhe os póros.
-Será que falta muito ainda?-um pensamento desesperado que a suprimia entre a taquicardia.
Distraiu-se: tropeçou em monte de areia que se amontoava na frente de uma construção.Seguiu inabalada,com apenas alguns grãos de areias a esfoliar a camada macia de pele entre os dedos dos pés.Os passos eram duros,mecânicos ,destilavam frieza e indiferença.
Havia ficado nua,se despira ,ficando totalmente vulnerável àquele que não existia. Ela sobrara sem roupas no mundo que atravessa e rompe com todos os sonhos.Violada,porem ansiava em um desejo masoquista de dar mais ainda,mais do que podia,poderia talvez,despir-se da pele que a cobria.Quem sabe assim ele a acharia normal,toda aberta e disponível.
Sendo apenas carne quente, carne dele.
Estaria talvez enlouquecendo e se lembrou de quando aprendeu andar de bicicleta, havia a antiga promessa de que tudo talvez fosse como dominar a arte de pedalar; apenas controlando o destino e mantendo o equilíbrio. Mas o destino não tem forma e quando achamos que o encontramos a imagem perde o foco.O equilíbrio por sua vez escorre pelos vãos de nossos dedos,nos deixando em luto de sua fluída certeza.
-Que horas são?
Queria derrubar o Sol só para contemplar a terra queimando no fogo.
Como sangrava aquele corpo, amolecido pelo doer.
-Estou muito longe do mar?
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Ecoando passos

Será que dá jeito depois?
Quem vai querer?
Ouvir tocar a valsa que não fiz?
O mesmo lamentar de outrem
A severa nota a riscar
Como quem não quis
Era velha valsa sim
Retumbava por aí
Pótrm,nunca inagurará em mim.
Eu quis.
Mas quem mais quisera assim?
Ele não a tocara...
Cantei em solo.
Foi assim.
Assim que foi.
Ecoando entre motriz
Vós sabe que sim.
Mesmo que quiserás não
Quimerás?
Quisera a mim?
Entere milhares
Eu era a mil.
Era vil.
Deveria cessar
Mais nada entoar.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Diário à mim mesma
Hoje o retorno à minha casa foi difícil,mais denso,de maneira distinta,de forma modificada trouxe a distância.Como aqueles que carregam os símbolos,eu cheguei cheia de espera.
Era um retorno de mim mesma, aquela que não mais existia para aquela que contemplava(rá)meus olhos no espelho do bar.
Senti que havia me perdido entre as árvores e estrelas, e jamais retornaria.
A curva parecia mais circunflexa.
Quis abandonar os sentidos,mas não consegui,estava toda repleta de sensações minhas,que ninguém mais conseguia decifrar(para me ser mais fácil a compreensão,desejava um leitor meu).Era uma aglomerado de efeitos (diversos entre si,ao mesmo tempo que análogos)oriundos de um corpo que resistia às vontades da passividade.
O inverno acabará e eu não compreendia isto, ao mesmo tempo em que não o queria.
Era tempo de calor, de frescor, de frutas, mas não entendia...
Queria o toque.
A proximidade, o afeto.
Senti todo aquele amor que transcendia minha pele.
O cheiro que aproximava os corpos.
Ainda sinto que a razão perpetua em doses homeopáticas em toda a superfície.
Queria libertar-me,dessas obediências ao retorno do que já findará,mesmo que internamente.
Queria um modo de sanar todo o ressentimento, e alcançar o todo almejado perdão.
Desejava uma purificação.
Um estar além, algo que parecia compreender a existência, mas não conseguia atingir.
Um todo meu.
Estou indiferente à minha presença, consciente à solidão, porém, me sentido acompanhada.
sábado, 19 de novembro de 2011
Aquela Ilusão
Os pés ,as pernas,os braços,as mãos:partes integradas que formam o cojunto de mim mesma.EU.
Eu aquele que de não mais esperar, passou a procurar.
A busca que por si só se justifica, no caminho que surpreende.
Às vezes preciso da ilusão de que ainda sou importante.
Passo dias e dias sem nada falar, enterro-me em meu casulo,oco de barulho porém abarrotado de vida.
Residindo em minhas próprias barragens, sendo existência em minhas correntezas.
Densa no reservatório de toda minha essência.
Nem ao menos sei em que esquina deixei o meu vazio. Quando fui corrompida por uma ilusória plenitude. Queria regressar aos belos encontros deixados na rua anterior.
Talvez o vazio não fosse um estar em mim, mas o todo.
Repleta ou não, em partes estou aqui, e hão de surgir aqueles que me desconheçam mais de perto.
Às vezes preciso de ilusões...
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A Abelha camuflada

Dedicado à Melina Garcia Gorjon
Entre tantos zumbidos e murmúrios, ela voava.
Persistia.
Voava levemente, sem planos de vôo...
Entre zig e zags, continuava solitária sua doce jornada.
Sem destino, apenas movida por seus desejos.
Era pequena, mas tinha sonhos de Mel como toda Abelha.
Atraída pelas flores que a evocavam delicadamente com suas cores e aromas.
Era uma abelha escondida, quase sempre distraída.
Tinha altivez em seu planar.
Suas asas pareciam dançar.
Era uma abelha bela, sofrida....
Exalava cheiro de baunilha.
Raros são aqueles capazes de encarar os olhos grandes daquela açucarada voadora,
Era ela muito rápida e incapaz de captura.
Eram poucos que conseguiam perceber a pinta em seu semblante de Abelha.
Tinha expressão terna de menina, abelhinha.
Fêmea auto-gerada.
Partenogênese consumada.
Tinha força de Abelha Rainha.
Encanto majestoso.
Nobre de uma colméia libertaria.
Muitos a temiam...
Medo da abstrusa ferroada.
Eu há muito a esperava...
Desejava sua companhia de Mel.
Minha Abelha querida.
Resguarde a ferroada,pois dela brota a eterna partida.....
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Os prolongamentos do corpo

Surge com o gesto
Que umedece os lábios
Aquece a boca
Brota um beijo.
Entrelaçam-se os dedos
Tocam-se as palmas
Mãos que deslizam
Mãos que se alisam
Pele que percorre
O enlace do abraço
O toque que promove
O arrepio.
O frisson
Que se estendem por toda a superfície
Nuca e ombros
Sorriso.
A tez mármore
Veias verdes
As pintas que desenham o corpo.
Os pés que brincam
Escondem-se
Caminham pelas trilhas
Das pernas.
A essencialidade das saboneteiras
O gosto do pescoço
As curvas da orelha.
Corpos que se acham
Reconhecem-se
Exploram...
O doce segredo
O verso estendido
Nos corpos aliados.
Alados ,prolongados.
domingo, 18 de setembro de 2011
(Im)Paciência

quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Interzona/Insônia
Luzes verdes. Não durmo.
Sou engolida pela insônia.
Tento ouvir o barulho que o silencio comete, no entanto não há silencio ,ouço um apito distante e um gato miando. Barulhinhos da noite.
Apenas eu emudeço na madrugada enquanto acordada.
Penso em cores, talvez melancias. Teclas, teclado, pianos.
Pareço pauta sem barra e compasso perdido.
Montanha que vira iguana, olho que vira peixe.
Um smile.
Não há silêncio no território onírico, cavidade de minhoca.
Recordo-me das “Confissões de Lúcio”,e tudo parece púrpura.
Um valete aparece com uma carta de Virginia Wolf.
A epístola narra um curta-metragem.
Sinto cheiro de batata rufles de mel com mostarda.
Caminho entre tampinhas de garrafas e embalagens de yakut.Quero brinca de futebol de botão.
Formiga, com cheiro de formiga.
Estou formigando, sinto que vou cair,onde está o chão?
Vôo e controlo a aerodinâmica do meu corpo.
Quero comer dama da noite e engolir o perfume adstringente.
Durmo...
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A folha caída
Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.
Diante da surpresa a folha caída
sente que está viva
Surpreendida pelo vento
que a leva
Carregada,passiva...
Entregue sem destino
Provando o gelado da seiva
Ardendo na cicatriz arrancada
Recém-nascida.
Parto,que inicia a partida!
Na não permissão vida
que brota a inquietude.
Aonde cessa o caminho da folha?
Quem sabe está
se diferencie em sua queda
Causando inveja,naquelas
que permanecem presas.
Caindo....
Abdicando de ser parte
para tornar-se todo.
A vida verde,macia está dentro
Intimamente protegida
Mesmo quando no chão
parecendo seca,morta.
Permanece viva.
Livre com o vento.
Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Por que me sinto boba.

Por que me sinto boba.
Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.
Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.
Boba, não vejo, mas sim enxergo.
Boba, perco o sono e me atraso.
Boba,entrego-me, ao todo e inteira.
Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.
Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.
Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.
De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.
Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.
Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.
Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...
Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.
Boba por esperar...
Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.
Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.
Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.
Ainda falta tanta argúcia.
Muito boba por que amo...
Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.
Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Atraiçoando as horas

As palavras são ditas
Seus significados adquirem formas repentinas
Volúpias voluntariosas
Madrugada adentra
Enquanto o sono se dilui
Riso e pausas
Reminiscências e oscilações
Pausa.
Circunscritos por um significado particular
Permeados por conchas e casulos.
Ressalvas cínicas e blefes,sarcásticos.
Os relógios pararam
Os ponteiros derreteram
Minta-me as horas..
Já deve ser muito mais do que tarde
O sol nasce na minha janela
E o mesmo Sol aparece na sua varanda
Eu te deixo ir...
Resta-me apenas a companhia do silencio
E o sono matutino.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lettre au vieil amoureux

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.
Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.
Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.
Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.
Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.
Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.
Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.
Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.
Gostávamos de nos machucar.
Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.
Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.
Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.
Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.
Os anos passaram...
A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.
Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.
Envelopei mas não enviei.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
As duas camas ou Meu morango no abismo

(Ágatha Zeller)
As duas camas
Sempre estiveram lá
No escuro e no claro
No inverno e na primavera
Lado a lado
Sereníssima!
Ainda me lembro
De quando você era tão pequena
E medrosa
Escondia-se na minha cama
Cuidava de ti
Ainda me lembro
De quando eu já era tão grande
E melancólica
Chorava no seu peito
Cuidavas de mim
Sereníssima!
Sereníssima!
Sereníssima minha!
A fala minha a escuta sua
O desabafo seu o calar meu
Olhos seus
Caracóis meus
Sardas suas!
Ainda sinto os grãos de areia
Saindo de seus sapatos
Procuro avidamente as sardas
Eternamente as sardas!
Nossa vida divida
Tua dor compartida
Minhas angustia repartida
Irmãs!
Irmãs!
...
Irmãs!
Amor saudoso curado com um sorriso
O abraço mais sincero e o grito mais estúpido
Irmãs!
Eternamente
Meu morango no abismo...





