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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Para ontem



Dedicado à Lucas Costa


Pelas horas já passadas
Percorro de volta
 No meio de palavras
Jogadas pelo viaduto
De tão leve, livre.
 Voavam com vontade.

 Eu palpitava pelas frestas dos dedos
Acendia meu cigarro.
 Esperava cada passo
 Falando de cogumelos azuis.
 Com prismas distorcidos
 De sons gritados.

Tudo parava para a incoerência das sensações
De aflito era eufórico, cada encontro.
Ansiava cada toque.

 Pôr-do-sol
 Horário de verão
Uma hora a menos.

Quem sabe se já faz tempo...



quinta-feira, 7 de março de 2013

Disfarce de cetim



O meu toque é de manso
De estremecido ,abraçado.
Com dedos desajeitados
Em sutil rubor,o rosto.
Medroso dizer no corpo.
No olho o torto
Olhar de lado.
Enviesado ouvido
Fingidor do não querer.
Naquele passo que tropeça.
Por uma ocasional hiperntesão*
De relance o disfarçado
Que aglomera o sensato.
  

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Na beira da varanda

( Marília ) 
Eterno retorno

No meio de todos os guardados
Conservados na mais severa nostalgia
Entre  rabiscos & lápis  desapontados
O caco de vidro, do copo quebrado,reluzia.
O cansaço se mantinha, afunilado entre o não saber como se sente.
Olhos fazendo mímica.
A pele dormente que arrepiava na  penumbra.
A sombra se punha
O sono já ilimitado e por horas ultrapassado
O corpo persistia.
O céu era de ametista.
-Um café sem açúcar,por favor.  

domingo, 22 de julho de 2012

Bilhete etílico



Eu sei que isso é meio estranho, mas não vou à manhã. Porque sei que estou bêbada agora. São várias as cartas que eu me escrevo quando estou bêbada, parece até que tem uma Aline querendo falar com a parte que processa as ações;então resolvi escrever pra você .
Pra quem sabe isso tudo chegar a tona. Você sabe que adoro escrever. Entre personagens, histórias, pessoas e realidade me encontro meio perdida. Não me sinto protagonista em nada. Como se eu fosse eternamente a coadjuvante que exerce papel elementar, aquele que não sabe o desfecho, mas o imagina arduamente; Sei lá.
 Às vezes me sinto muito iludida por um final feliz que é mera representação.
Eu sei que discutimos, que você  acha que na maior parte das vezes as pessoas nos decepcionam...mas e se?e se for diferente?
Essas conversas, nas quais pareço não estar concentrada, me tiram o  sono.Completa autoanalise isso daqui.
Cuide disso, por favor.
Parece loucura. Mas me lembrei de colchas de retalho sem querer.
E depois de tomates verdes fritos.
Parece que de certa forma eu quero que você saiba, como um mau hábito que insiste em ressurgir. Tenho a mania de simplificar o problema alheio,para ser mais fácil...
Mas mesmo assim não é,
A solidariedade tem acabado comigo, a cada fez que meu momento feliz morre pela desgraça alheia. Se eu for esperar estar tudo ok, pra ficar bem, sim estarei perdida. Amanhã não acordarei  à  tempo mesmo.
Será que isto está denso demais; Tão tenso ou denso quanto eu jamais conseguiria pronunciar?
Abelhas tomam néctar de morangos?
Estou bêbada, mas você ainda é meu melhor amigo... será que alguém me engana?Preciso conversar?
Sinto-me entregue no momento à água, pode ser corrente marítima. Ou sono.

domingo, 15 de julho de 2012

Sempre ia



(Van Gogh )
Outrora eu vivia
Entretida na rígida rotina
Em constante monotonia
Presa entre as certezas ruídas.
Na maquiagem enraizada.

Outrora eu padecia
Pelas mil roupas que vestia
E depois despia.
Não me reconhecendo enquanto nua.

Sendo como nota repetida.
Habitada pela masoquista nostalgia
Das inúmeras peles que em mim cabia.

Antes não percebia
O tanto que meu corpo podia.

Agora me sinto vasta.
Não mais vazia.
Fluída em várias
Entre muitas vias.
Estrangeira em mim mesma
Infinita em minhas fronteiras.
Dispersa, disposta
Transposta em poesia.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Doce de nuvem



Ao olhar as nuvens pela janela do quadro ambulante, pensei que estivessem penduradas por fios de nylon, amarradas num prego preso no azul do céu.
Será possível tocar a textura das nuvens?Ou em uma trama de gotas, elas fugiriam com velocidade de vapor?
Parecem-me tão fluidas livres em seu planar. Viajam peregrinas pela umidade do ar.
Brisa sempre branca.
Talvez tenham gosto de algodão doce, que de tão açucarado fica preso nos cantos de dentro da boca.
Ora alvas, ora cinzas.
Talvez sejam geladas, frescas como o orvalho do gramado.
Às vezes um pouco mais salgadas, como as nuvens que sobrevoam o Mar...
Entre nuvens carregadas já saturadas e nuvens que apenas nublam, vem o ato distraído, lúdico., de tentar achar figuras escondidas.
As nuvens também choram e ganham corpo através das lágrimas
Transformam-se do claro para o escuro.
NuanceS de palidez, alvo inalcançável.  
Alguns dizem que são apenas água disfarçada...
Não sei se todos os dias são dia de nuvem.
Ou sei. Não sei...







sexta-feira, 13 de abril de 2012

Corpo de fundo

As palmas dos pés ardiam, os dedos adormecidos nada sentiam, já havia peregrinado por um longo caminho. Ela não tinha noção do espaço que ocupava no trajeto,mal enxergava o horizonte,não tinha um rumo exato apenas se movia.Estava cega,não conseguindo mirar nada alem de dois passos no chão,seu campo visual era embaçado e restrito,não cabia nenhum detalhe naquele momento.Seus joelhos tremiam já exaustos,as coxas formigavam estressadas pelo esforço que iam alem daquela estrutura.Sentia como se sua cabeça tivesse sido separada de seu corpo,sendo que seus membro movimentavam-se de forma fissurada,enquanto sua mente ainda estava parada,inerte naquele quarto do quinto andar.Parecia que haviam lhe tirado todo o sangue,invadida por um frio cortante em pleno verão de Janeiro.Não corria pois não haveria ar suficientemente capaz de agüentar seu desejo de sumir dali.Apenas caminha com pouco fôlego,incerta das ruas que a percorriam.Todo a pele erriçada,doía como um rio de navalhas a penetrar-lhe os póros.

-Será que falta muito ainda?-um pensamento desesperado que a suprimia entre a taquicardia.

Distraiu-se: tropeçou em monte de areia que se amontoava na frente de uma construção.Seguiu inabalada,com apenas alguns grãos de areias a esfoliar a camada macia de pele entre os dedos dos pés.Os passos eram duros,mecânicos ,destilavam frieza e indiferença.

Havia ficado nua,se despira ,ficando totalmente vulnerável àquele que não existia. Ela sobrara sem roupas no mundo que atravessa e rompe com todos os sonhos.Violada,porem ansiava em um desejo masoquista de dar mais ainda,mais do que podia,poderia talvez,despir-se da pele que a cobria.Quem sabe assim ele a acharia normal,toda aberta e disponível.

Sendo apenas carne quente, carne dele.

Estaria talvez enlouquecendo e se lembrou de quando aprendeu andar de bicicleta, havia a antiga promessa de que tudo talvez fosse como dominar a arte de pedalar; apenas controlando o destino e mantendo o equilíbrio. Mas o destino não tem forma e quando achamos que o encontramos a imagem perde o foco.O equilíbrio por sua vez escorre pelos vãos de nossos dedos,nos deixando em luto de sua fluída certeza.

-Que horas são?

Queria derrubar o Sol só para contemplar a terra queimando no fogo.

Como sangrava aquele corpo, amolecido pelo doer.

-Estou muito longe do mar?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ecoando passos



Será que dá jeito depois?

Quem vai querer?

Ouvir tocar a valsa que não fiz?

O mesmo lamentar de outrem

A severa nota a riscar

Como quem não quis

Era velha valsa sim

Retumbava por aí

Pótrm,nunca inagurará em mim.

Eu quis.

Mas quem mais quisera assim?

Ele não a tocara...

Cantei em solo.

Foi assim.

Assim que foi.

Ecoando entre motriz

Vós sabe que sim.

Mesmo que quiserás não

Quimerás?

Quisera a mim?

Entere milhares

Eu era a mil.

Era vil.

Deveria cessar

Mais nada entoar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Diário à mim mesma



Hoje o retorno à minha casa foi difícil,mais denso,de maneira distinta,de forma modificada trouxe a distância.Como aqueles que carregam os símbolos,eu cheguei cheia de espera.
Era um retorno de mim mesma, aquela que não mais existia para aquela que contemplava(rá)meus olhos no espelho do bar.
Senti que havia me perdido entre as árvores e estrelas, e jamais retornaria.
A curva parecia mais circunflexa.
Quis abandonar os sentidos,mas não consegui,estava toda repleta de sensações minhas,que ninguém mais conseguia decifrar(para me ser mais fácil a compreensão,desejava um leitor meu).Era uma aglomerado de efeitos (diversos entre si,ao mesmo tempo que análogos)oriundos de um corpo que resistia às vontades da passividade.
O inverno acabará e eu não compreendia isto, ao mesmo tempo em que não o queria.
Era tempo de calor, de frescor, de frutas, mas não entendia...
Queria o toque.
A proximidade, o afeto.
Senti todo aquele amor que transcendia minha pele.
O cheiro que aproximava os corpos.
Ainda sinto que a razão perpetua em doses homeopáticas em toda a superfície.
Queria libertar-me,dessas obediências ao retorno do que já findará,mesmo que internamente.
Queria um modo de sanar todo o ressentimento, e alcançar o todo almejado perdão.
Desejava uma purificação.
Um estar além, algo que parecia compreender a existência, mas não conseguia atingir.
Um todo meu.
Estou indiferente à minha presença, consciente à solidão, porém, me sentido acompanhada.

sábado, 19 de novembro de 2011

Aquela Ilusão

Os pés ,as pernas,os braços,as mãos:partes integradas que formam o cojunto de mim mesma.EU.

Eu aquele que de não mais esperar, passou a procurar.

A busca que por si só se justifica, no caminho que surpreende.

Às vezes preciso da ilusão de que ainda sou importante.

Passo dias e dias sem nada falar, enterro-me em meu casulo,oco de barulho porém abarrotado de vida.

Residindo em minhas próprias barragens, sendo existência em minhas correntezas.

Densa no reservatório de toda minha essência.

Nem ao menos sei em que esquina deixei o meu vazio. Quando fui corrompida por uma ilusória plenitude. Queria regressar aos belos encontros deixados na rua anterior.

Talvez o vazio não fosse um estar em mim, mas o todo.

Repleta ou não, em partes estou aqui, e hão de surgir aqueles que me desconheçam mais de perto.

Às vezes preciso de ilusões...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Abelha camuflada

Dedicado à Melina Garcia Gorjon

Entre tantos zumbidos e murmúrios, ela voava.

Persistia.

Voava levemente, sem planos de vôo...

Entre zig e zags, continuava solitária sua doce jornada.

Sem destino, apenas movida por seus desejos.

Era pequena, mas tinha sonhos de Mel como toda Abelha.

Atraída pelas flores que a evocavam delicadamente com suas cores e aromas.

Era uma abelha escondida, quase sempre distraída.

Tinha altivez em seu planar.

Suas asas pareciam dançar.

Era uma abelha bela, sofrida....

Exalava cheiro de baunilha.

Raros são aqueles capazes de encarar os olhos grandes daquela açucarada voadora,

Era ela muito rápida e incapaz de captura.

Eram poucos que conseguiam perceber a pinta em seu semblante de Abelha.

Tinha expressão terna de menina, abelhinha.

Fêmea auto-gerada.

Partenogênese consumada.

Tinha força de Abelha Rainha.

Encanto majestoso.

Nobre de uma colméia libertaria.

Muitos a temiam...

Medo da abstrusa ferroada.

Eu há muito a esperava...

Desejava sua companhia de Mel.

Minha Abelha querida.

Resguarde a ferroada,pois dela brota a eterna partida.....

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os prolongamentos do corpo


Surge com o gesto

Que umedece os lábios

Aquece a boca

Brota um beijo.

Entrelaçam-se os dedos

Tocam-se as palmas

Mãos que deslizam

Mãos que se alisam

Pele que percorre

O enlace do abraço

O toque que promove

O arrepio.

O frisson

Que se estendem por toda a superfície

Nuca e ombros

Sorriso.

A tez mármore

Veias verdes

As pintas que desenham o corpo.

Os pés que brincam

Escondem-se

Caminham pelas trilhas

Das pernas.

A essencialidade das saboneteiras

O gosto do pescoço

As curvas da orelha.

Corpos que se acham

Reconhecem-se

Exploram...

O doce segredo

O verso estendido

Nos corpos aliados.

Alados ,prolongados.

domingo, 18 de setembro de 2011

(Im)Paciência


(Chema Madoz)

No meio de tantas horas, tanta pressa...
Ao redor de toda essa gente em alta freqüência
Resta-me tanta exigência
Sobra tanta (Im)paciência...


A agenda, o compromisso, o horário
O sorriso por conveniência
A mansidão em aparência
À remunerada paciência.

Ausência em multidão
O improviso das expressões.
Pressa sem prece
Preces dispersas...

Ó ira d’alma,
Raiva em opulência
Inquietação em evidência.

Todos querem a subsistência da alma
Se bastar em solidão
No desencontrar das palmas.
Constato apenas impaciência.

(Im)Paciência!

Convoco clemência
Uma pausa, um gesto, um afago
Uma porção a mais de prudência.

Ah doce olhar sobre as singelezas
Imensa pureza!
Aí minha preferência!

Qualquer toque, palpite que evoque
Que vibre e transforme em
Uma leve existência.

Alguém que note e retoque
Essa antiquada tendência.
E me salve desta imensa violência.
Submergindo uma nova vivência!

Tenho (Im)Paciência...


Insisto com persistência
Num pouco mais de paciência.

Quero a calma em fluência.
Talvez sapiência.

Quiçá isso tudo seja mera inocência.
Quiçá um delírio
Quiçá uma reminiscência

Restam-me as reticências
...



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Interzona/Insônia

(Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar,Salvador Dali)


As quatro paredes que não vejo, mas percebo. Entre travesseiros inquieta mudo desconfortável entre todos os lados. Está escuro, mas vejo as luzes que em forma de feixes atravessas as janelas, vislumbro o interruptor da lâmpada, que fica fluorescente na escuridão.
Luzes verdes. Não durmo.
Sou engolida pela insônia.
Tento ouvir o barulho que o silencio comete, no entanto não há silencio ,ouço um apito distante e um gato miando. Barulhinhos da noite.
Apenas eu emudeço na madrugada enquanto acordada.
Penso em cores, talvez melancias. Teclas, teclado, pianos.
Pareço pauta sem barra e compasso perdido.
Montanha que vira iguana, olho que vira peixe.
Um smile.
Não há silêncio no território onírico, cavidade de minhoca.
Recordo-me das “Confissões de Lúcio”,e tudo parece púrpura.
Um valete aparece com uma carta de Virginia Wolf.
A epístola narra um curta-metragem.
Sinto cheiro de batata rufles de mel com mostarda.
Caminho entre tampinhas de garrafas e embalagens de yakut.Quero brinca de futebol de botão.
Formiga, com cheiro de formiga.
Estou formigando, sinto que vou cair,onde está o chão?
Vôo e controlo a aerodinâmica do meu corpo.
Quero comer dama da noite e engolir o perfume adstringente.
Durmo...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A folha caída


Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.


Diante da surpresa a folha caída

sente que está viva

Surpreendida pelo vento

que a leva

Carregada,passiva...

Entregue sem destino

Provando o gelado da seiva

Ardendo na cicatriz arrancada

Recém-nascida.

Parto,que inicia a partida!

Na não permissão vida

que brota a inquietude.

Aonde cessa o caminho da folha?

Quem sabe está

se diferencie em sua queda

Causando inveja,naquelas

que permanecem presas.

Caindo....

Abdicando de ser parte

para tornar-se todo.

A vida verde,macia está dentro

Intimamente protegida

Mesmo quando no chão

parecendo seca,morta.

Permanece viva.

Livre com o vento.


Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que me sinto boba.


"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.E só o amor faz o bobo."
Clarice Lispector



Por que me sinto boba.

Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.

Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.

Boba, não vejo, mas sim enxergo.

Boba, perco o sono e me atraso.

Boba,entrego-me, ao todo e inteira.

Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.

Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.

Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.

De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.

Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.

Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.

Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...

Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.

Boba por esperar...

Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.

Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.

Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.

Ainda falta tanta argúcia.

Muito boba por que amo...

Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.

Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Atraiçoando as horas

(Salvador Dali)

As palavras são ditas

Seus significados adquirem formas repentinas

Volúpias voluntariosas

Madrugada adentra

Enquanto o sono se dilui

Riso e pausas

Reminiscências e oscilações

Pausa.

Circunscritos por um significado particular

Permeados por conchas e casulos.

Ressalvas cínicas e blefes,sarcásticos.

Os relógios pararam

Os ponteiros derreteram

Minta-me as horas..

Já deve ser muito mais do que tarde

O sol nasce na minha janela

E o mesmo Sol aparece na sua varanda

Eu te deixo ir...

Resta-me apenas a companhia do silencio

E o sono matutino.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lettre au vieil amoureux



Sei que já faz muito tempo que não conversamos e tempo maior ainda que não nos vemos, mas depois de tanto hesitar resolvi falar o que sempre evitei dizer, pra ser honesta não sei ao certo por onde começar e vejo minha letra trêmula ao riscar o papel,mas vou tentar verbalizar o que sinto nessa aventurada carta.

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.

Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.

Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.

Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.

Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.

Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.

Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.

Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.

Gostávamos de nos machucar.

Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.

Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.

Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.

Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.

Os anos passaram...

A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.

Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.



Envelopei mas não enviei.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

As duas camas ou Meu morango no abismo


Dedicado à Ágatha Zeller

(Ágatha Zeller)

As duas camas

Sempre estiveram lá

No escuro e no claro

No inverno e na primavera

Lado a lado

Sereníssima!


Ainda me lembro

De quando você era tão pequena

E medrosa

Escondia-se na minha cama

Cuidava de ti


Ainda me lembro

De quando eu já era tão grande

E melancólica

Chorava no seu peito

Cuidavas de mim


Sereníssima!

Sereníssima!

Sereníssima minha!


A fala minha a escuta sua

O desabafo seu o calar meu

Olhos seus

Caracóis meus

Sardas suas!


Ainda sinto os grãos de areia

Saindo de seus sapatos

Procuro avidamente as sardas

Eternamente as sardas!


Nossa vida divida

Tua dor compartida

Minhas angustia repartida

Irmãs!


Irmãs!

...

Irmãs!


Amor saudoso curado com um sorriso

O abraço mais sincero e o grito mais estúpido

Irmãs!

Eternamente

Meu morango no abismo...