Mostrando postagens com marcador Desabafos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desabafos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de março de 2013

Disfarce de cetim



O meu toque é de manso
De estremecido ,abraçado.
Com dedos desajeitados
Em sutil rubor,o rosto.
Medroso dizer no corpo.
No olho o torto
Olhar de lado.
Enviesado ouvido
Fingidor do não querer.
Naquele passo que tropeça.
Por uma ocasional hiperntesão*
De relance o disfarçado
Que aglomera o sensato.
  

domingo, 22 de julho de 2012

Bilhete etílico



Eu sei que isso é meio estranho, mas não vou à manhã. Porque sei que estou bêbada agora. São várias as cartas que eu me escrevo quando estou bêbada, parece até que tem uma Aline querendo falar com a parte que processa as ações;então resolvi escrever pra você .
Pra quem sabe isso tudo chegar a tona. Você sabe que adoro escrever. Entre personagens, histórias, pessoas e realidade me encontro meio perdida. Não me sinto protagonista em nada. Como se eu fosse eternamente a coadjuvante que exerce papel elementar, aquele que não sabe o desfecho, mas o imagina arduamente; Sei lá.
 Às vezes me sinto muito iludida por um final feliz que é mera representação.
Eu sei que discutimos, que você  acha que na maior parte das vezes as pessoas nos decepcionam...mas e se?e se for diferente?
Essas conversas, nas quais pareço não estar concentrada, me tiram o  sono.Completa autoanalise isso daqui.
Cuide disso, por favor.
Parece loucura. Mas me lembrei de colchas de retalho sem querer.
E depois de tomates verdes fritos.
Parece que de certa forma eu quero que você saiba, como um mau hábito que insiste em ressurgir. Tenho a mania de simplificar o problema alheio,para ser mais fácil...
Mas mesmo assim não é,
A solidariedade tem acabado comigo, a cada fez que meu momento feliz morre pela desgraça alheia. Se eu for esperar estar tudo ok, pra ficar bem, sim estarei perdida. Amanhã não acordarei  à  tempo mesmo.
Será que isto está denso demais; Tão tenso ou denso quanto eu jamais conseguiria pronunciar?
Abelhas tomam néctar de morangos?
Estou bêbada, mas você ainda é meu melhor amigo... será que alguém me engana?Preciso conversar?
Sinto-me entregue no momento à água, pode ser corrente marítima. Ou sono.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Miragem vazia

(Tarcila do Amaral - O sonho)

Um dia de uma cor só
Vista que não refratava nenhum interesse
Onde todas as imagens já foram decifradas
Mantinha-se cansada.
Retina cicatrizada.
Cansada de olhar
Pupilas ansiosas
Vontade de escuridão
Dormir, não serviria
Os sonhos traziam vitrines
Iris em sépia, inanimada.
Exaustão pelo ver.
Cculpa pelo não querer.
Era o olho então?
Uma grande cavidade absorvente?
Parecendo um dado viciado
Domesticado a compreender   
Ingrata.
Parecia um labirinto de imagens ocas.
As gotas marejavam, ardiam.
Fitava fosca toda a superfície
Não havia nenhuma camada de luz.
Queria uma cor nova.
Sorria com o olhar vibrado:
Imitando a tristeza que acomete o corpo após um banho quente.

domingo, 15 de julho de 2012

Sempre ia



(Van Gogh )
Outrora eu vivia
Entretida na rígida rotina
Em constante monotonia
Presa entre as certezas ruídas.
Na maquiagem enraizada.

Outrora eu padecia
Pelas mil roupas que vestia
E depois despia.
Não me reconhecendo enquanto nua.

Sendo como nota repetida.
Habitada pela masoquista nostalgia
Das inúmeras peles que em mim cabia.

Antes não percebia
O tanto que meu corpo podia.

Agora me sinto vasta.
Não mais vazia.
Fluída em várias
Entre muitas vias.
Estrangeira em mim mesma
Infinita em minhas fronteiras.
Dispersa, disposta
Transposta em poesia.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Corpo de fundo

As palmas dos pés ardiam, os dedos adormecidos nada sentiam, já havia peregrinado por um longo caminho. Ela não tinha noção do espaço que ocupava no trajeto,mal enxergava o horizonte,não tinha um rumo exato apenas se movia.Estava cega,não conseguindo mirar nada alem de dois passos no chão,seu campo visual era embaçado e restrito,não cabia nenhum detalhe naquele momento.Seus joelhos tremiam já exaustos,as coxas formigavam estressadas pelo esforço que iam alem daquela estrutura.Sentia como se sua cabeça tivesse sido separada de seu corpo,sendo que seus membro movimentavam-se de forma fissurada,enquanto sua mente ainda estava parada,inerte naquele quarto do quinto andar.Parecia que haviam lhe tirado todo o sangue,invadida por um frio cortante em pleno verão de Janeiro.Não corria pois não haveria ar suficientemente capaz de agüentar seu desejo de sumir dali.Apenas caminha com pouco fôlego,incerta das ruas que a percorriam.Todo a pele erriçada,doía como um rio de navalhas a penetrar-lhe os póros.

-Será que falta muito ainda?-um pensamento desesperado que a suprimia entre a taquicardia.

Distraiu-se: tropeçou em monte de areia que se amontoava na frente de uma construção.Seguiu inabalada,com apenas alguns grãos de areias a esfoliar a camada macia de pele entre os dedos dos pés.Os passos eram duros,mecânicos ,destilavam frieza e indiferença.

Havia ficado nua,se despira ,ficando totalmente vulnerável àquele que não existia. Ela sobrara sem roupas no mundo que atravessa e rompe com todos os sonhos.Violada,porem ansiava em um desejo masoquista de dar mais ainda,mais do que podia,poderia talvez,despir-se da pele que a cobria.Quem sabe assim ele a acharia normal,toda aberta e disponível.

Sendo apenas carne quente, carne dele.

Estaria talvez enlouquecendo e se lembrou de quando aprendeu andar de bicicleta, havia a antiga promessa de que tudo talvez fosse como dominar a arte de pedalar; apenas controlando o destino e mantendo o equilíbrio. Mas o destino não tem forma e quando achamos que o encontramos a imagem perde o foco.O equilíbrio por sua vez escorre pelos vãos de nossos dedos,nos deixando em luto de sua fluída certeza.

-Que horas são?

Queria derrubar o Sol só para contemplar a terra queimando no fogo.

Como sangrava aquele corpo, amolecido pelo doer.

-Estou muito longe do mar?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Falta de coragem




Seria a falta de coragem


A covardia?


Seria a covardia


A sensação de medo?


Seria o medo


A ausência de coragem?


Debruçada em minhas dívidas


Não me restam nem ao menos


Minicertezas


No silêncio de meus pensamentos


Durmo desprotegida


Desperto desnorteada


A vontade é suprimida


E o choro engolido.


Mágoas mal-digeridas


Farpas lançadas por feridas


Fala contida


Lágrima degustada


Mudança desgastada




Essa falta de coragem


Que me mantém inerte


Em minhas engrenagens


Enferrujadas


Nesta força que me envolvo


Retida


Que age nos freios


Brota o breque


A aspereza do chão


Até mesmo as mentiras são asusmidas


Abandonar-te-ia se tivesse coragem...

sábado, 20 de agosto de 2011

Procurando no vazio


"Não posso crer num Deus que queira ser louvado o tempo todo."
Friedrich Nietzsche

Eu andava pelas ruas, fazendo o mesmo caminho que diariamente faço, desviando de um ou outro obstáculo, mecanicamente ultrapassando os desníveis das calçadas e parando em cada esquina, esperando os carros passarem. Era final de mais um dia, outra vez uma semana, dentro da rotina marcante na sucessão dos dias,Estava cansada,tinha a mente e o corpo esgotados.Sentia uma leve melancolia,que alguns associariam à solidão.

Pensei no que iria fazer ao chegar a minha casa. Não senti vontade de fazer coisa alguma. Percebi que olhava alheia para tudo ao meu redor, o trajeto não me atraia, não conseguia sentir nenhuma vivacidade ao observar as casas e vidas alheias.

Foi então que notei o vazio em mim, uma ausência plena que ainda não entendo.

Pensei em mecanismos de preencher esse buraco de minha alma, pensei em correr, gritar e chorar. Nada me estimulou.

Elenquei coisas que pudessem me aliviar uma barra de chocolate meio amargo, um trago, uma xícara de café ou uma dose de conhaque; porém nada elegi.

Vislumbrei por alguém, minha mãe, meu pai, um amigo, um inimigo, simplesmente alguém. Um toque, um abraço, um beijo, nada era aquela minha parte que não tinha.

Desse modo cogitei que talvez o que me faltava fosse aquela religiosidade, aquela devoção solene, que exige rituais e premissas, aquele amor que parece confortar, aquela fé que acolhe e remove as angustias, aquele doce purificar, que os outros costumam chamar de Deus e eu de vazio.

Nesse meu vácuo encontrei talvez uma resposta, contudo uma resposta em vão, por que há muito já não acreditava. Exaltando toda a razão me sentia desprovida de recursos parar ficar repleta. Sentia os poros abertos e indefesos, eu afrontava a vida sem nenhuma armadura, como um molusco sem concha.

Evoquei minha fidúcia antiga, e chamei meu anjo da guarda, e nada aconteceu.

Voltei pra casa exasperada, talvez fosse pelo atrevimento de não acreditar que eu não receberia. E quanto ao filho pródigo?

Seria eu a ovelha desgarrada?

Enquanto me sinto a ovelha negra, e aspiro por esta.

No entanto o vazio me consumia. Procuro meu guardador de rebanhos.




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que me sinto boba.


"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.E só o amor faz o bobo."
Clarice Lispector



Por que me sinto boba.

Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.

Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.

Boba, não vejo, mas sim enxergo.

Boba, perco o sono e me atraso.

Boba,entrego-me, ao todo e inteira.

Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.

Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.

Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.

De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.

Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.

Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.

Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...

Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.

Boba por esperar...

Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.

Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.

Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.

Ainda falta tanta argúcia.

Muito boba por que amo...

Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.

Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lettre au vieil amoureux



Sei que já faz muito tempo que não conversamos e tempo maior ainda que não nos vemos, mas depois de tanto hesitar resolvi falar o que sempre evitei dizer, pra ser honesta não sei ao certo por onde começar e vejo minha letra trêmula ao riscar o papel,mas vou tentar verbalizar o que sinto nessa aventurada carta.

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.

Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.

Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.

Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.

Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.

Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.

Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.

Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.

Gostávamos de nos machucar.

Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.

Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.

Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.

Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.

Os anos passaram...

A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.

Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.



Envelopei mas não enviei.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dissimulação acompanhada




Carregadas do excessivo peso

Seus lindos dentes cerrados

Elas seguem com lábios fechados

Braços cruzados apáticos

Olhos trancados alheios

Mãos paradas

Como as pessoas sozinhas não são elas

Odeio quando me percebo nos outros

Odeio quando me perco nos outros

Dentro e fora de todo o amor

sábado, 30 de abril de 2011

Depois do tempo próprio






O vento soprou sobre o castelo de areia
Meigo modo maquiado
Alvéolo santificado
Desconstruído, despetalado
Mariposa perdida
Recém emancipada
Desencasulada
Meigo medo doce
Borboleta colorida
Camuflada, inerme
Fraca ,frágil
Quebradiças asas
Borboleta desprotegida
Delicado desamparo
Mariposa adormecida
Fosca melancolia
Meigo sono lento .

domingo, 30 de janeiro de 2011

Há um ideal?


Em uma conversa ele me falou: ”Marx é ópio dos intelectuais.”.
Não me tomo como intelectual, no entanto me sentia viciada nesse emaranhado de discursos tão entorpecentes. Percebia todos os meus gestos como relevantes ao panorama global, acreditava que todos meus pensamentos eram um grito louvável de subversão capazes de movimentar o mundo. Concebia a idéia do “Bom selvagem”de Rousseau , destruído e moldado por uma sociedade diligente e lucrativo.Me rebelava com tudo que pudesse me parecer tradicional e padronizado.Sobretudo alguém com esperanças nos seres humanos.
Então pergunto, e agora?
Quais são as causas, quando sinto que não sou nada além de uma peça desencaixada no quebra-cabeça social. Será mesmo que posso fazer parte da diferença?
Olho pessoas nas ruas andando alheias umas às outras, como se não compartilhassem dos mesmos dramas, como se não doessem e sangrassem do mesmo jeito.
E o que faço eu agora?Ainda sangro igual?Devo dar o peixe ou ensinar a pescar àqueles que me pedem uma moeda?
Temo tornar-me aquilo que sempre repudiei; individual, egoísta e descrente.
Participante de um contexto partícula, membro privilegiado de um esquema de classes. Cego e indiferente ao meu redor. Trocando a empatia por apatia.
Apego-me a frase do filme Edukators que afirma “Toda coração é uma célula revolucionaria”, onde adoto a Revolução como um organismo em construção.
Tentando resistir e ser o que gostaria de ser.
Há um ideal?