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sábado, 19 de novembro de 2011

Aquela Ilusão

Os pés ,as pernas,os braços,as mãos:partes integradas que formam o cojunto de mim mesma.EU.

Eu aquele que de não mais esperar, passou a procurar.

A busca que por si só se justifica, no caminho que surpreende.

Às vezes preciso da ilusão de que ainda sou importante.

Passo dias e dias sem nada falar, enterro-me em meu casulo,oco de barulho porém abarrotado de vida.

Residindo em minhas próprias barragens, sendo existência em minhas correntezas.

Densa no reservatório de toda minha essência.

Nem ao menos sei em que esquina deixei o meu vazio. Quando fui corrompida por uma ilusória plenitude. Queria regressar aos belos encontros deixados na rua anterior.

Talvez o vazio não fosse um estar em mim, mas o todo.

Repleta ou não, em partes estou aqui, e hão de surgir aqueles que me desconheçam mais de perto.

Às vezes preciso de ilusões...

domingo, 18 de setembro de 2011

(Im)Paciência


(Chema Madoz)

No meio de tantas horas, tanta pressa...
Ao redor de toda essa gente em alta freqüência
Resta-me tanta exigência
Sobra tanta (Im)paciência...


A agenda, o compromisso, o horário
O sorriso por conveniência
A mansidão em aparência
À remunerada paciência.

Ausência em multidão
O improviso das expressões.
Pressa sem prece
Preces dispersas...

Ó ira d’alma,
Raiva em opulência
Inquietação em evidência.

Todos querem a subsistência da alma
Se bastar em solidão
No desencontrar das palmas.
Constato apenas impaciência.

(Im)Paciência!

Convoco clemência
Uma pausa, um gesto, um afago
Uma porção a mais de prudência.

Ah doce olhar sobre as singelezas
Imensa pureza!
Aí minha preferência!

Qualquer toque, palpite que evoque
Que vibre e transforme em
Uma leve existência.

Alguém que note e retoque
Essa antiquada tendência.
E me salve desta imensa violência.
Submergindo uma nova vivência!

Tenho (Im)Paciência...


Insisto com persistência
Num pouco mais de paciência.

Quero a calma em fluência.
Talvez sapiência.

Quiçá isso tudo seja mera inocência.
Quiçá um delírio
Quiçá uma reminiscência

Restam-me as reticências
...



domingo, 21 de agosto de 2011

Minhas Mulheres


Boca de vermelho tinto

Cabelos curtos, cabelos longos

Negros, loiros, ruivos...


Mãos novas, mãos enrugadas

Hermanas, amigas!

Mãos dadas!


Amazonas, fadas

Princesas, estrelas

Guerreiras!


Entre mil Sofias e Alices

Lágrimas negras.

Águas-vivas!


Abraços prendidos

Perfume, gineceu

Doce deleite.


Maçãs douradas

Mulheres ousadas

Segredos dentre as saboneteiras.


Compreensão materna

Colo de amiga

Guardiãs,sacerdotisas!


Violento veneno

Força femínea

Delicadeza ardilosa.


Amoras

Margaridas

Meninas.


Nos seios o mistério

O íntimo que palpita

Por todos os desejos.


Minhas mulheres....




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Interzona/Insônia

(Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar,Salvador Dali)


As quatro paredes que não vejo, mas percebo. Entre travesseiros inquieta mudo desconfortável entre todos os lados. Está escuro, mas vejo as luzes que em forma de feixes atravessas as janelas, vislumbro o interruptor da lâmpada, que fica fluorescente na escuridão.
Luzes verdes. Não durmo.
Sou engolida pela insônia.
Tento ouvir o barulho que o silencio comete, no entanto não há silencio ,ouço um apito distante e um gato miando. Barulhinhos da noite.
Apenas eu emudeço na madrugada enquanto acordada.
Penso em cores, talvez melancias. Teclas, teclado, pianos.
Pareço pauta sem barra e compasso perdido.
Montanha que vira iguana, olho que vira peixe.
Um smile.
Não há silêncio no território onírico, cavidade de minhoca.
Recordo-me das “Confissões de Lúcio”,e tudo parece púrpura.
Um valete aparece com uma carta de Virginia Wolf.
A epístola narra um curta-metragem.
Sinto cheiro de batata rufles de mel com mostarda.
Caminho entre tampinhas de garrafas e embalagens de yakut.Quero brinca de futebol de botão.
Formiga, com cheiro de formiga.
Estou formigando, sinto que vou cair,onde está o chão?
Vôo e controlo a aerodinâmica do meu corpo.
Quero comer dama da noite e engolir o perfume adstringente.
Durmo...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A folha caída


Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.


Diante da surpresa a folha caída

sente que está viva

Surpreendida pelo vento

que a leva

Carregada,passiva...

Entregue sem destino

Provando o gelado da seiva

Ardendo na cicatriz arrancada

Recém-nascida.

Parto,que inicia a partida!

Na não permissão vida

que brota a inquietude.

Aonde cessa o caminho da folha?

Quem sabe está

se diferencie em sua queda

Causando inveja,naquelas

que permanecem presas.

Caindo....

Abdicando de ser parte

para tornar-se todo.

A vida verde,macia está dentro

Intimamente protegida

Mesmo quando no chão

parecendo seca,morta.

Permanece viva.

Livre com o vento.


Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que me sinto boba.


"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.E só o amor faz o bobo."
Clarice Lispector



Por que me sinto boba.

Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.

Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.

Boba, não vejo, mas sim enxergo.

Boba, perco o sono e me atraso.

Boba,entrego-me, ao todo e inteira.

Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.

Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.

Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.

De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.

Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.

Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.

Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...

Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.

Boba por esperar...

Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.

Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.

Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.

Ainda falta tanta argúcia.

Muito boba por que amo...

Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.

Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Atraiçoando as horas

(Salvador Dali)

As palavras são ditas

Seus significados adquirem formas repentinas

Volúpias voluntariosas

Madrugada adentra

Enquanto o sono se dilui

Riso e pausas

Reminiscências e oscilações

Pausa.

Circunscritos por um significado particular

Permeados por conchas e casulos.

Ressalvas cínicas e blefes,sarcásticos.

Os relógios pararam

Os ponteiros derreteram

Minta-me as horas..

Já deve ser muito mais do que tarde

O sol nasce na minha janela

E o mesmo Sol aparece na sua varanda

Eu te deixo ir...

Resta-me apenas a companhia do silencio

E o sono matutino.


terça-feira, 5 de julho de 2011

Expressando



(Chema Madoz)
Inspiração na madrugada.


Um café expresso por favor.

Uma xícara média

Com apenas duas colheres de açúcar


Não muito doce

Nem muito amargo

Apenas forte.


Café expresso.


Café espremido

Filtrado, pressionado

Resultado espesso, escuro.


Expresso, rápido

Depressa.


Uma dose quente

Enquanto me expresso

Estravessa.


Uma xícara inteira

Para agüentar a pressa

Ravessa .


Uma chávena de café

Pequena,serena

No desfazer do açodamento

Ex-pressa.


O café expresso me expressa

Eu melhor expresso minhas impressões

Através de café expresso.