"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Na beira da varanda
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
O corpo cicatrizado
domingo, 22 de julho de 2012
Bilhete etílico
domingo, 15 de julho de 2012
Sempre ia
terça-feira, 1 de maio de 2012
Como esquecer
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Doce de nuvem
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Os prolongamentos do corpo

Surge com o gesto
Que umedece os lábios
Aquece a boca
Brota um beijo.
Entrelaçam-se os dedos
Tocam-se as palmas
Mãos que deslizam
Mãos que se alisam
Pele que percorre
O enlace do abraço
O toque que promove
O arrepio.
O frisson
Que se estendem por toda a superfície
Nuca e ombros
Sorriso.
A tez mármore
Veias verdes
As pintas que desenham o corpo.
Os pés que brincam
Escondem-se
Caminham pelas trilhas
Das pernas.
A essencialidade das saboneteiras
O gosto do pescoço
As curvas da orelha.
Corpos que se acham
Reconhecem-se
Exploram...
O doce segredo
O verso estendido
Nos corpos aliados.
Alados ,prolongados.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca -

terça-feira, 26 de julho de 2011
Atraiçoando as horas

As palavras são ditas
Seus significados adquirem formas repentinas
Volúpias voluntariosas
Madrugada adentra
Enquanto o sono se dilui
Riso e pausas
Reminiscências e oscilações
Pausa.
Circunscritos por um significado particular
Permeados por conchas e casulos.
Ressalvas cínicas e blefes,sarcásticos.
Os relógios pararam
Os ponteiros derreteram
Minta-me as horas..
Já deve ser muito mais do que tarde
O sol nasce na minha janela
E o mesmo Sol aparece na sua varanda
Eu te deixo ir...
Resta-me apenas a companhia do silencio
E o sono matutino.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Expressando

Um café expresso por favor.
Uma xícara média
Com apenas duas colheres de açúcar
Não muito doce
Nem muito amargo
Apenas forte.
Café expresso.
Café espremido
Filtrado, pressionado
Resultado espesso, escuro.
Expresso, rápido
Depressa.
Uma dose quente
Enquanto me expresso
Estravessa.
Uma xícara inteira
Para agüentar a pressa
Ravessa .
Uma chávena de café
Pequena,serena
No desfazer do açodamento
Ex-pressa.
O café expresso me expressa
Eu melhor expresso minhas impressões
Através de café expresso.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lettre au vieil amoureux

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.
Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.
Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.
Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.
Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.
Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.
Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.
Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.
Gostávamos de nos machucar.
Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.
Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.
Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.
Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.
Os anos passaram...
A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.
Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.
Envelopei mas não enviei.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
As duas camas ou Meu morango no abismo

(Ágatha Zeller)
As duas camas
Sempre estiveram lá
No escuro e no claro
No inverno e na primavera
Lado a lado
Sereníssima!
Ainda me lembro
De quando você era tão pequena
E medrosa
Escondia-se na minha cama
Cuidava de ti
Ainda me lembro
De quando eu já era tão grande
E melancólica
Chorava no seu peito
Cuidavas de mim
Sereníssima!
Sereníssima!
Sereníssima minha!
A fala minha a escuta sua
O desabafo seu o calar meu
Olhos seus
Caracóis meus
Sardas suas!
Ainda sinto os grãos de areia
Saindo de seus sapatos
Procuro avidamente as sardas
Eternamente as sardas!
Nossa vida divida
Tua dor compartida
Minhas angustia repartida
Irmãs!
Irmãs!
...
Irmãs!
Amor saudoso curado com um sorriso
O abraço mais sincero e o grito mais estúpido
Irmãs!
Eternamente
Meu morango no abismo...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ensaio sobre o Amor II

Posso tentar ensaiar
Mas o amor é inflexível para os ensaios
É tão cheio de suas particularidades
Tem seus mecanismos próprios e obtusos
Não cabe nos versos nem mesmo nas sentenças
Parecendo que falta vocabulário capaz de expressar a linguagem dos afetos.
É vencer através do silêncio.É ser feliz até com um pouco quando,muito não é bastante
Amar é sonhar o sonho de quem sonha com você.É sentir saudades.É chegar perto da distância.”
Tantas são as formas
Desse tal Amor
Conjugo por muitos o verbo amar
No rosto de minha mãe
Na fala de meu pai
No abraço de minha irmã
No sorriso de meu irmão
Nas mãos amigas
Nos olhos cúmplices
Em um único beijo
Conjugo por muitos o verbo amar
De tanto que existo pra adorar
Empatia a disseminar
Amo no meu ciúme calado
Adoro na minha saudade abafada
No sono compartilhado
Na mania aturdida de afetuar
Afeição pelo outro
Pelo que conheço
e pelo que espero compreender
Idolatro os bem-feitos
E amenizo os defeitos;
Ternamente...
Carinhosamente...
Conjugo por muitos o verbo amar.
Ensaio sobre o Amor I
sábado, 30 de abril de 2011
Depois do tempo próprio

O vento soprou sobre o castelo de areia
Meigo
Alvéolo
Desconstruído, despetalado
Mariposa perdida
Recém emancipada
Desencasulada
Meigo
Borboleta colorida
Camuflada,
Quebradiças asas
Borboleta desprotegida
Mariposa adormecida
Fosca melancolia
Meigo
terça-feira, 29 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Heart-shaped Box
Sinto-me presa na caixa com formato de coração
Como uma boneca de porcelana passiva....
Com olhos minuciosamente desenhados
Cabelos e sorrisos falsos.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Meus prazeres Amelie Poulain

Caminho sozinha pela praia, é o fim de um dia ensolarado,o céu está alaranjado e roxo,sinto os nuances de cores penetrando minha pele.Ando só.descalça deixo pegadas na areia molhada,entre intervalos descompassados ondas atingem meus tornozelos espirrando uma água delicadamente gelada em meus joelhos.Quando uma onda mais forte me alcança,sinto o Mar subir até minha boca,deixando um sabor salgado em meus lábios.
Sinto a maresia, fundindo-se ao meu rosto, alastrando-se por todo meu corpo. Me sinto como uma derivação da brisa,protegida pela maresia,selando seu cheiro impregnado em minha memória.
Respiro.
Tomo meu primeiro gole. Temerosa de queimar a língua.
O que me dá prazer não é o Café em si, é o ato de tomar café.
Acordo, apressada.
Será que ainda estará lá?
Talvez não, já são 9 horas da manhã, já deve ter se esgotado.
Corro descalça ainda de pijama, alcanço a varanda que me leva ao jardim.
Caminho ao encontro. Repleta de esperança. Primeiro um pé depois o outro.
Piso na grama e sinto as gotículas da madrugada ainda presas nas hastes do gramado. Dou alguns passos para sentir melhor. Passeio sobre a terra molhada. Percebo meus dedos penetrando o solo.
O que me dá prazer não é diretamente o orvalho, mas minha expectativa correspondida por ele.
Abro a janela do carro.
Coloco minhas mãos para fora, esticando ao máximo que posso meus braços, procurando o vento. Tento segura-lo entre meus dedos, Ele escapa.
Busco enxerga-lo, só vejo a paisagem, o vento não foi feito pra ser visto. De onde vem e pra onde vai o vento. Imagino que viaje ele bastante. Deve conhecer muita gente.
Conte-me vento seus relatos e histórias do mundo!
Entrego-me curiosa quero ir junto, sinto-me purificada por meu encontro com o vento, Não consigo pensar em nada além dele.
O que me dá prazer é justamente o vento.
Um brinde ao Hedonismo permitido e legalizado
Aos prazeres discretos e ocultos
E que todos possam se perder nos encantos proibidos....
domingo, 30 de janeiro de 2011
Há um ideal?

Não me tomo como intelectual, no entanto me sentia viciada nesse emaranhado de discursos tão entorpecentes. Percebia todos os meus gestos como relevantes ao panorama global, acreditava que todos meus pensamentos eram um grito louvável de subversão capazes de movimentar o mundo. Concebia a idéia do “Bom selvagem”de Rousseau , destruído e moldado por uma sociedade diligente e lucrativo.Me rebelava com tudo que pudesse me parecer tradicional e padronizado.Sobretudo alguém com esperanças nos seres humanos.
Então pergunto, e agora?
Quais são as causas, quando sinto que não sou nada além de uma peça desencaixada no quebra-cabeça social. Será mesmo que posso fazer parte da diferença?
Olho pessoas nas ruas andando alheias umas às outras, como se não compartilhassem dos mesmos dramas, como se não doessem e sangrassem do mesmo jeito.
E o que faço eu agora?Ainda sangro igual?Devo dar o peixe ou ensinar a pescar àqueles que me pedem uma moeda?
Temo tornar-me aquilo que sempre repudiei; individual, egoísta e descrente.
Participante de um contexto partícula, membro privilegiado de um esquema de classes. Cego e indiferente ao meu redor. Trocando a empatia por apatia.
Apego-me a frase do filme Edukators que afirma “Toda coração é uma célula revolucionaria”, onde adoto a Revolução como um organismo em construção.
Tentando resistir e ser o que gostaria de ser.
Há um ideal?
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Lacuna

Doeu mais do que normalmente dói diariamente, doeu como uma ferida crônica que nunca cicatriza,doeu como uma perda recente e uma saudade eterna.
Talvez tenha doído por medo, ou pela dúvida do que fazer. A palavra mais exata seria insegurança.
Pensei em quando era menina e você me carregava no colo ao mínimo sinal de perigo, a partir de qualquer gesto de desconforto meu assim você me amparava.
Esperei aquele copo de leite com chocolate antes de dormir.
De vezes em quando finjo que você só está viajando, que se esqueceu de voltar, que está se divertindo muito, dando tantas risadas em algum lugar por ai, que quase consigo escutar. Deve haver muito sorvete.
Vendo suas xícaras e chaleira parece que vejo você fazendo o café da tarde com bolinhos de chuva. Manter suas coisas perto de mim me faz notar sua presença, sua presença que se imortaliza em mim.
Recordo-me das lições de casa, de que quando você me ensinou a ler.
Como essas memórias me trazem um cheiro de infância que não consigo mais encontrar em nenhum lugar, em nenhuma das imensidões que contem o mundo.
Talvez seja por ser uma imensidade só minha, um cheiro que só eu senti, uma sensação que apenas eu tive o prazer de provar.
Olho para minhas mãos. Como me lembram as suas!
Como me inspiro no seu gênio, e tenho o legado de sua ferocidade.
Sim, é verdade você não era nada fácil. Contudo nunca me interessei por facilidades, acho que deve ser essa a raiz de meu apurado gosto por complicações.
Adorava verdadeiramente ouvir aquelas historias, historia não de uma vida, mas de várias que passaram e marcaram sua alma. Pessoas que agora vivem apenas nas gavetas de meus pensamentos e curiosamente chegaram até lá por meio de seus relatos.
Sempre me lembro. Nostalgia a minha!
Volta e meia, me sobe a boca e brota em frase aquela fala:
-“Como diria minha vó...”.
Mas nada volta, e a cadeira de balanço continua vazia.....





