"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Para ontem
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Na beira da varanda
sábado, 19 de novembro de 2011
Aquela Ilusão
Os pés ,as pernas,os braços,as mãos:partes integradas que formam o cojunto de mim mesma.EU.
Eu aquele que de não mais esperar, passou a procurar.
A busca que por si só se justifica, no caminho que surpreende.
Às vezes preciso da ilusão de que ainda sou importante.
Passo dias e dias sem nada falar, enterro-me em meu casulo,oco de barulho porém abarrotado de vida.
Residindo em minhas próprias barragens, sendo existência em minhas correntezas.
Densa no reservatório de toda minha essência.
Nem ao menos sei em que esquina deixei o meu vazio. Quando fui corrompida por uma ilusória plenitude. Queria regressar aos belos encontros deixados na rua anterior.
Talvez o vazio não fosse um estar em mim, mas o todo.
Repleta ou não, em partes estou aqui, e hão de surgir aqueles que me desconheçam mais de perto.
Às vezes preciso de ilusões...
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Cristalino

Vou morrer nos seus olhos, menina
Não há tempo de me salvar
Vou correr pros seus olhos como luz
Na sua íris me afogar.
Minha vida passando na sua vista
Você nem pisca
Lacrimeja e se irrita.
Cristalino, cristalino
Pois agora é muito tarde
Já estou na sua retina
Se o pensamento não lembrar
Vou morrer nos seus olhos, menina.
Cristalino, cristalino.
CHINA
domingo, 18 de setembro de 2011
(Im)Paciência

sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca -

terça-feira, 16 de agosto de 2011
A folha caída
Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.
Diante da surpresa a folha caída
sente que está viva
Surpreendida pelo vento
que a leva
Carregada,passiva...
Entregue sem destino
Provando o gelado da seiva
Ardendo na cicatriz arrancada
Recém-nascida.
Parto,que inicia a partida!
Na não permissão vida
que brota a inquietude.
Aonde cessa o caminho da folha?
Quem sabe está
se diferencie em sua queda
Causando inveja,naquelas
que permanecem presas.
Caindo....
Abdicando de ser parte
para tornar-se todo.
A vida verde,macia está dentro
Intimamente protegida
Mesmo quando no chão
parecendo seca,morta.
Permanece viva.
Livre com o vento.
Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lettre au vieil amoureux

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.
Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.
Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.
Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.
Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.
Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.
Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.
Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.
Gostávamos de nos machucar.
Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.
Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.
Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.
Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.
Os anos passaram...
A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.
Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.
Envelopei mas não enviei.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Dissimulação acompanhada
terça-feira, 31 de maio de 2011
RESPOSTA À ETERNA LIRA ( Em homenagem a Aline Zeller)
sábado, 30 de abril de 2011
Depois do tempo próprio

O vento soprou sobre o castelo de areia
Meigo
Alvéolo
Desconstruído, despetalado
Mariposa perdida
Recém emancipada
Desencasulada
Meigo
Borboleta colorida
Camuflada,
Quebradiças asas
Borboleta desprotegida
Mariposa adormecida
Fosca melancolia
Meigo
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
"Closer - Perto Demais": por que somos infelizes em amor?
O filme é uma demonstração tocante de nossas impotências e incompetências sentimentais. Se você quer saber por que, em regra, somos infelizes em amor, não perca.
Para não estragar o prazer de quem não viu o filme, nada de resumo, apenas as reflexões fragmentárias com as quais passei a noite, depois de ter assistido a "Closer - Perto Demais".
1) Por que, no meio de uma história amorosa que funciona, um encontro (que sempre parece mágico) pode levar alguém a trocar a intimidade de um casal companheiro por uma visão?
Os evolucionistas dizem que os homens são infiéis por necessidade biológica. Para que a espécie continue, os machos seriam programados com o desejo de fecundar todas as fêmeas possíveis. A teoria tem uma falha: as mulheres são tão infiéis quanto os homens (embora os homens se recusem a acreditar nessa banalidade).
O senso comum tem outra explicação: a paixão iria se apagando com a repetição, os humanos gostariam de novidade. Pequeno problema: a idéia de que a novidade seja um valor é especificamente moderna; no entanto a inconstância em amor é um hábito antigo. Outro problema ainda maior: na condução de nossas vidas, somos obstinadamente repetitivos. Insistimos nas mesmas fantasias e nos mesmos sintomas. Contrariamente ao que diz o provérbio, errar é divino, perseverar é humano. Por que seria diferente em matéria amorosa? Como pode ser que um encontro, em que mal se sabe quem é o outro ou a outra, contenha uma promessa que basta para levar alguém a dar um chute num amor que dura?
Tento responder: apaixonar-se é idealizar o outro, durar no amor é lidar com a realidade do amado ou da amada. Antes de ponderar os charmes da idealização, duas observações.
Um impasse: para manter a paixão, devo continuar idealizando o parceiro. Mas, para idealizar o outro, devo mantê-lo a distância. Se mantenho o outro a distância, renuncio aos prazeres de amor, companheirismo, cumplicidade, convivência.
Um paradoxo: se me separo porque me apaixono por outra ou outro, o parceiro que deixei se distancia de mim, portanto volto a idealizá-lo e a me apaixonar por ele.
2) Por que gostaríamos tanto de idealizar o outro que vislumbramos num novo encontro? Uma nova paixão amorosa é provavelmente o sentimento que mais pode nos transformar, para o bem ou para o mal. Por exemplo, se o outro me idealiza, carrego seu ideal como um casaco novo: modifico minha postura para que o pano caia bem no meu corpo. De uma certa forma, tento me parecer com o ideal que o outro ama em mim.
Cada amor, quando começa, é uma aventura. Não porque encontro um novo parceiro, mas porque, ao me apaixonar, descubro ou invento um novo ideal e, ao ser amado, mudo para me aproximar do que o outro imagina que eu seja.
A inconstância amorosa talvez seja a expressão imediata do desejo de mudar -não de trocar de parceiro, mas de se reinventar.
Não é estranho que, na hora em que um amor começa, alguém decida se dar um novo nome. Nenhuma mentira nisso, apenas a convicção e a esperança de que a paixão nos transforme.
Infelizmente, mudar é difícil: a sedução exercida pelos novos amores é uma veleidade, um pouco como as resoluções de que as coisas serão diferentes no ano que começa.
3) Dizem que um casal que se ama briga muito. O uso erótico das brigas é conhecido: a paz se faz na cama. Menos conhecido é o uso amoroso das brigas: chegar ao limite da ruptura pode ser um jeito de recomeçar, de voltar ao momento inicial da paixão, quando ambos esperavam que o amor os transformasse.
Problema: ninguém sabe qual é o ponto de equilíbrio além do qual as brigas não garantem renovação nenhuma, apenas desgastam um amor que se perde.
4) Alguém se apaixona por outra pessoa porque, ele se queixa, sua parceira precisa dele. É aquela coisa: seu amor me exige demais, você me sufoca, me prende. Isso, é claro, é um jeito de dizer: com você sou sempre o mesmo. Também é uma projeção: separo-me porque não agüento minha própria dependência de você. Visto que me detesto por estar a fim de lhe pedir amor a cada minuto, acho intolerável que você me peça. Quem pensa e age assim, em geral, fica sozinho no fim.
5) Um homem volta para o lar depois de ter estado nos braços de outra. Sua mulher pergunta: você me ama ainda? Ela tem razão, é a única pergunta que importa.
Uma mulher volta para o lar depois de ter estado nos braços de outro. Seu homem pergunta: você esteve com ele? Insiste: quero a verdade. Pede os detalhes: gostou? Gozou? Onde aconteceu, em que posição, quantas vezes?
O ciúme feminino é uma exigência amorosa. O ciúme do homem é uma competição com o outro, um duelo de espadas, uma esgrima homossexual que tem pouco a ver com o amor pela amada e muito a ver com as excitantes lutinhas masculinas da infância.
Enfim, quem sabe o filme nos ajude a inventar jeitos de amar menos desafortunados e mais interessantes.

