Mostrando postagens com marcador Presente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Presente. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Interzona/Insônia

(Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar,Salvador Dali)


As quatro paredes que não vejo, mas percebo. Entre travesseiros inquieta mudo desconfortável entre todos os lados. Está escuro, mas vejo as luzes que em forma de feixes atravessas as janelas, vislumbro o interruptor da lâmpada, que fica fluorescente na escuridão.
Luzes verdes. Não durmo.
Sou engolida pela insônia.
Tento ouvir o barulho que o silencio comete, no entanto não há silencio ,ouço um apito distante e um gato miando. Barulhinhos da noite.
Apenas eu emudeço na madrugada enquanto acordada.
Penso em cores, talvez melancias. Teclas, teclado, pianos.
Pareço pauta sem barra e compasso perdido.
Montanha que vira iguana, olho que vira peixe.
Um smile.
Não há silêncio no território onírico, cavidade de minhoca.
Recordo-me das “Confissões de Lúcio”,e tudo parece púrpura.
Um valete aparece com uma carta de Virginia Wolf.
A epístola narra um curta-metragem.
Sinto cheiro de batata rufles de mel com mostarda.
Caminho entre tampinhas de garrafas e embalagens de yakut.Quero brinca de futebol de botão.
Formiga, com cheiro de formiga.
Estou formigando, sinto que vou cair,onde está o chão?
Vôo e controlo a aerodinâmica do meu corpo.
Quero comer dama da noite e engolir o perfume adstringente.
Durmo...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lettre au vieil amoureux



Sei que já faz muito tempo que não conversamos e tempo maior ainda que não nos vemos, mas depois de tanto hesitar resolvi falar o que sempre evitei dizer, pra ser honesta não sei ao certo por onde começar e vejo minha letra trêmula ao riscar o papel,mas vou tentar verbalizar o que sinto nessa aventurada carta.

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.

Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.

Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.

Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.

Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.

Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.

Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.

Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.

Gostávamos de nos machucar.

Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.

Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.

Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.

Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.

Os anos passaram...

A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.

Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.



Envelopei mas não enviei.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

As duas camas ou Meu morango no abismo


Dedicado à Ágatha Zeller

(Ágatha Zeller)

As duas camas

Sempre estiveram lá

No escuro e no claro

No inverno e na primavera

Lado a lado

Sereníssima!


Ainda me lembro

De quando você era tão pequena

E medrosa

Escondia-se na minha cama

Cuidava de ti


Ainda me lembro

De quando eu já era tão grande

E melancólica

Chorava no seu peito

Cuidavas de mim


Sereníssima!

Sereníssima!

Sereníssima minha!


A fala minha a escuta sua

O desabafo seu o calar meu

Olhos seus

Caracóis meus

Sardas suas!


Ainda sinto os grãos de areia

Saindo de seus sapatos

Procuro avidamente as sardas

Eternamente as sardas!


Nossa vida divida

Tua dor compartida

Minhas angustia repartida

Irmãs!


Irmãs!

...

Irmãs!


Amor saudoso curado com um sorriso

O abraço mais sincero e o grito mais estúpido

Irmãs!

Eternamente

Meu morango no abismo...

terça-feira, 31 de maio de 2011

RESPOSTA À ETERNA LIRA ( Em homenagem a Aline Zeller)

Não se entristeça
Eterna lira
Não perca o tom
Do seu destino certo

Não termine seu encanto
Eterna lira
Mesmo no início
De um novo inverno
O futuro escondido
Eterna lira
Será sua felicidade
O motivo de surgir

Lamentar tempos passados
Eterna lira
É o que trará maus devaneios
Apagando seu florir

Espero que se renove
Eterna lira
Seu poder de brilhar
De constante ressurgir

Que nos tempos vindouros
Eterna lira
As rugas sejam marcas
Memoriais de eterna felicidade

E então perceba
Eterna lira
Que para vivermos
Precisamos deixar que o tempo passe...


Luciana Ferrari Gouvêa



Obrigada minha Madrinha querida
Fiquei verdadeiramente emocionada.
Te adoro Lu