
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca -

sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lettre au vieil amoureux

Sempre soube que éramos feitos dos “mesmos defeitos”,de maneiras opostas porêm simétricas,nossos orgulhos e vaidade circunscritos por inspirações românticas ,mas agora nos perdemos;e a verdade é que sou sua ausência em mim todos os dias.
Ainda me lembro de como você dizia que meus olhos eram lindos e de como minhas mãos ficavam pequenas sobre as suas.Com aquele ar imponente dizia que dormiu sentindo meu perfume,e eu fingia não me importar.
Existem segredos, palavras mágicas com significados exclusivamente nossos e toda vez que toca aquela música, me lembro de você e do parque de diversão que nunca fomos.
Às vezes parece que nossa historia foi um filme que nunca entendi o final, e insisto em relembrar minhas cenas favoritas.
Sinto-me boba e desorientada, com essa carta ridícula.
Talvez seja nostalgia, talvez seja o inverno ou quem sabe saudades.
Já estive muito magoada mas mesmo assim nunca esqueci do seu aniversário e do dia em que nos conhecemos,mesmo quando estávamos brigados.
Você também já esteve magoado,decepcionado e frustrado.
Gostávamos de nos machucar.
Somente agora sou capaz de perceber e encontrar meus erros e deslizes, minhas falhas e lacunas, onde naquela época talvez por falta de vida eu me fazia cega,e por hábito talvez sempre o culpava.Não quero mais competir com você pela posse da razão.
Queria poder falar com você, aquele de antes, que era doce e sem mágoas,aquele pra quem eu ligava de madrugada e me atendia com a voz entorpecida de sono e mesmo assim me prometia um buque de rosas brancas. Mas sei que este você não está mais ai.
Eu como antes também não estou aqui. Mudamos e nos perdemos.
Ficamos presos no passado e em minhas ternas recordações.
Os anos passaram...
A alternativa mais razoável,ao que me parece,é desistir.
Perdoe-me pelas promessas nunca cumpridas.
Envelopei mas não enviei.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
As duas camas ou Meu morango no abismo

(Ágatha Zeller)
As duas camas
Sempre estiveram lá
No escuro e no claro
No inverno e na primavera
Lado a lado
Sereníssima!
Ainda me lembro
De quando você era tão pequena
E medrosa
Escondia-se na minha cama
Cuidava de ti
Ainda me lembro
De quando eu já era tão grande
E melancólica
Chorava no seu peito
Cuidavas de mim
Sereníssima!
Sereníssima!
Sereníssima minha!
A fala minha a escuta sua
O desabafo seu o calar meu
Olhos seus
Caracóis meus
Sardas suas!
Ainda sinto os grãos de areia
Saindo de seus sapatos
Procuro avidamente as sardas
Eternamente as sardas!
Nossa vida divida
Tua dor compartida
Minhas angustia repartida
Irmãs!
Irmãs!
...
Irmãs!
Amor saudoso curado com um sorriso
O abraço mais sincero e o grito mais estúpido
Irmãs!
Eternamente
Meu morango no abismo...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Pro dia nascer feliz
Cazuza
Todo dia a insônia
Me convence que o céu
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido, fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora vam'bora
Estamos, meu bem, por um triz
Pro dia nascer felizPro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, outra ali
Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir...
Amanhecer...
Saudades de ver o dia nascendo
metade do céu já clareado
e a outra parte ainda escura
Observar atentamente
a substituição
da Lua pelo Sol
A noite não dormida
invertida
pela manhã desmaiada
A penenbra misturada
o amanhecer alaranjado
e a brisa que restou da madrugada
Saudades de vc, Fê!!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Lacuna

Doeu mais do que normalmente dói diariamente, doeu como uma ferida crônica que nunca cicatriza,doeu como uma perda recente e uma saudade eterna.
Talvez tenha doído por medo, ou pela dúvida do que fazer. A palavra mais exata seria insegurança.
Pensei em quando era menina e você me carregava no colo ao mínimo sinal de perigo, a partir de qualquer gesto de desconforto meu assim você me amparava.
Esperei aquele copo de leite com chocolate antes de dormir.
De vezes em quando finjo que você só está viajando, que se esqueceu de voltar, que está se divertindo muito, dando tantas risadas em algum lugar por ai, que quase consigo escutar. Deve haver muito sorvete.
Vendo suas xícaras e chaleira parece que vejo você fazendo o café da tarde com bolinhos de chuva. Manter suas coisas perto de mim me faz notar sua presença, sua presença que se imortaliza em mim.
Recordo-me das lições de casa, de que quando você me ensinou a ler.
Como essas memórias me trazem um cheiro de infância que não consigo mais encontrar em nenhum lugar, em nenhuma das imensidões que contem o mundo.
Talvez seja por ser uma imensidade só minha, um cheiro que só eu senti, uma sensação que apenas eu tive o prazer de provar.
Olho para minhas mãos. Como me lembram as suas!
Como me inspiro no seu gênio, e tenho o legado de sua ferocidade.
Sim, é verdade você não era nada fácil. Contudo nunca me interessei por facilidades, acho que deve ser essa a raiz de meu apurado gosto por complicações.
Adorava verdadeiramente ouvir aquelas historias, historia não de uma vida, mas de várias que passaram e marcaram sua alma. Pessoas que agora vivem apenas nas gavetas de meus pensamentos e curiosamente chegaram até lá por meio de seus relatos.
Sempre me lembro. Nostalgia a minha!
Volta e meia, me sobe a boca e brota em frase aquela fala:
-“Como diria minha vó...”.
Mas nada volta, e a cadeira de balanço continua vazia.....
