"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
domingo, 22 de julho de 2012
Bilhete etílico
domingo, 11 de março de 2012
Postergação

Gosto do gosto
Do sonho
De quando acordo
Tendo dormido
Ao seu lado
Gosto de fruto
Do seu rosto
No meu rosto
Deixando tudo fosco
Enquanto reclamo
Que ainda é pouco
Tudo,o todo.
O todo,tudo.
Quero o gozo do corpo
Com o cheiro elevando
Ficando cada vez mais composto
Sendo tudo nulo
Posto que é apenas um sonho.
Com gosto de acordado.
Lutando pra não ser morto.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A Abelha camuflada

Dedicado à Melina Garcia Gorjon
Entre tantos zumbidos e murmúrios, ela voava.
Persistia.
Voava levemente, sem planos de vôo...
Entre zig e zags, continuava solitária sua doce jornada.
Sem destino, apenas movida por seus desejos.
Era pequena, mas tinha sonhos de Mel como toda Abelha.
Atraída pelas flores que a evocavam delicadamente com suas cores e aromas.
Era uma abelha escondida, quase sempre distraída.
Tinha altivez em seu planar.
Suas asas pareciam dançar.
Era uma abelha bela, sofrida....
Exalava cheiro de baunilha.
Raros são aqueles capazes de encarar os olhos grandes daquela açucarada voadora,
Era ela muito rápida e incapaz de captura.
Eram poucos que conseguiam perceber a pinta em seu semblante de Abelha.
Tinha expressão terna de menina, abelhinha.
Fêmea auto-gerada.
Partenogênese consumada.
Tinha força de Abelha Rainha.
Encanto majestoso.
Nobre de uma colméia libertaria.
Muitos a temiam...
Medo da abstrusa ferroada.
Eu há muito a esperava...
Desejava sua companhia de Mel.
Minha Abelha querida.
Resguarde a ferroada,pois dela brota a eterna partida.....
domingo, 18 de setembro de 2011
(Im)Paciência

sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca -

sábado, 20 de agosto de 2011
Procurando no vazio

Eu andava pelas ruas, fazendo o mesmo caminho que diariamente faço, desviando de um ou outro obstáculo, mecanicamente ultrapassando os desníveis das calçadas e parando em cada esquina, esperando os carros passarem. Era final de mais um dia, outra vez uma semana, dentro da rotina marcante na sucessão dos dias,Estava cansada,tinha a mente e o corpo esgotados.Sentia uma leve melancolia,que alguns associariam à solidão.
Pensei no que iria fazer ao chegar a minha casa. Não senti vontade de fazer coisa alguma. Percebi que olhava alheia para tudo ao meu redor, o trajeto não me atraia, não conseguia sentir nenhuma vivacidade ao observar as casas e vidas alheias.
Foi então que notei o vazio em mim, uma ausência plena que ainda não entendo.
Pensei em mecanismos de preencher esse buraco de minha alma, pensei em correr, gritar e chorar. Nada me estimulou.
Elenquei coisas que pudessem me aliviar uma barra de chocolate meio amargo, um trago, uma xícara de café ou uma dose de conhaque; porém nada elegi.
Vislumbrei por alguém, minha mãe, meu pai, um amigo, um inimigo, simplesmente alguém. Um toque, um abraço, um beijo, nada era aquela minha parte que não tinha.
Desse modo cogitei que talvez o que me faltava fosse aquela religiosidade, aquela devoção solene, que exige rituais e premissas, aquele amor que parece confortar, aquela fé que acolhe e remove as angustias, aquele doce purificar, que os outros costumam chamar de Deus e eu de vazio.
Nesse meu vácuo encontrei talvez uma resposta, contudo uma resposta em vão, por que há muito já não acreditava. Exaltando toda a razão me sentia desprovida de recursos parar ficar repleta. Sentia os poros abertos e indefesos, eu afrontava a vida sem nenhuma armadura, como um molusco sem concha.
Evoquei minha fidúcia antiga, e chamei meu anjo da guarda, e nada aconteceu.
Voltei pra casa exasperada, talvez fosse pelo atrevimento de não acreditar que eu não receberia. E quanto ao filho pródigo?
Seria eu a ovelha desgarrada?
Enquanto me sinto a ovelha negra, e aspiro por esta.
No entanto o vazio me consumia. Procuro meu guardador de rebanhos.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Interzona/Insônia
Luzes verdes. Não durmo.
Sou engolida pela insônia.
Tento ouvir o barulho que o silencio comete, no entanto não há silencio ,ouço um apito distante e um gato miando. Barulhinhos da noite.
Apenas eu emudeço na madrugada enquanto acordada.
Penso em cores, talvez melancias. Teclas, teclado, pianos.
Pareço pauta sem barra e compasso perdido.
Montanha que vira iguana, olho que vira peixe.
Um smile.
Não há silêncio no território onírico, cavidade de minhoca.
Recordo-me das “Confissões de Lúcio”,e tudo parece púrpura.
Um valete aparece com uma carta de Virginia Wolf.
A epístola narra um curta-metragem.
Sinto cheiro de batata rufles de mel com mostarda.
Caminho entre tampinhas de garrafas e embalagens de yakut.Quero brinca de futebol de botão.
Formiga, com cheiro de formiga.
Estou formigando, sinto que vou cair,onde está o chão?
Vôo e controlo a aerodinâmica do meu corpo.
Quero comer dama da noite e engolir o perfume adstringente.
Durmo...
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A folha caída
Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.
Diante da surpresa a folha caída
sente que está viva
Surpreendida pelo vento
que a leva
Carregada,passiva...
Entregue sem destino
Provando o gelado da seiva
Ardendo na cicatriz arrancada
Recém-nascida.
Parto,que inicia a partida!
Na não permissão vida
que brota a inquietude.
Aonde cessa o caminho da folha?
Quem sabe está
se diferencie em sua queda
Causando inveja,naquelas
que permanecem presas.
Caindo....
Abdicando de ser parte
para tornar-se todo.
A vida verde,macia está dentro
Intimamente protegida
Mesmo quando no chão
parecendo seca,morta.
Permanece viva.
Livre com o vento.
Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Por que me sinto boba.

Por que me sinto boba.
Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.
Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.
Boba, não vejo, mas sim enxergo.
Boba, perco o sono e me atraso.
Boba,entrego-me, ao todo e inteira.
Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.
Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.
Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.
De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.
Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.
Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.
Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...
Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.
Boba por esperar...
Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.
Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.
Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.
Ainda falta tanta argúcia.
Muito boba por que amo...
Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.
Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.
sábado, 2 de julho de 2011
Achado:muito procurado,há tempos perdido...

Por muitos anos procurei esse fragmento de texto, pois na época que o li pela primeira vez quase nada entendi.
Perdemos-nos então...
Reencontramo-nos, agora.
Mas não sei se poderei dizer que o compreendi por absoluto .

