"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Na beira da varanda
domingo, 22 de julho de 2012
Bilhete etílico
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Ecoando passos

Será que dá jeito depois?
Quem vai querer?
Ouvir tocar a valsa que não fiz?
O mesmo lamentar de outrem
A severa nota a riscar
Como quem não quis
Era velha valsa sim
Retumbava por aí
Pótrm,nunca inagurará em mim.
Eu quis.
Mas quem mais quisera assim?
Ele não a tocara...
Cantei em solo.
Foi assim.
Assim que foi.
Ecoando entre motriz
Vós sabe que sim.
Mesmo que quiserás não
Quimerás?
Quisera a mim?
Entere milhares
Eu era a mil.
Era vil.
Deveria cessar
Mais nada entoar.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A folha caída
Escrito com, Melina Garcia Gorjon no crespúsculo do gramado.
Diante da surpresa a folha caída
sente que está viva
Surpreendida pelo vento
que a leva
Carregada,passiva...
Entregue sem destino
Provando o gelado da seiva
Ardendo na cicatriz arrancada
Recém-nascida.
Parto,que inicia a partida!
Na não permissão vida
que brota a inquietude.
Aonde cessa o caminho da folha?
Quem sabe está
se diferencie em sua queda
Causando inveja,naquelas
que permanecem presas.
Caindo....
Abdicando de ser parte
para tornar-se todo.
A vida verde,macia está dentro
Intimamente protegida
Mesmo quando no chão
parecendo seca,morta.
Permanece viva.
Livre com o vento.
Ps: Temo me tornar as folhas que entopem os bueiros.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Por que me sinto boba.

Por que me sinto boba.
Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.
Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.
Boba, não vejo, mas sim enxergo.
Boba, perco o sono e me atraso.
Boba,entrego-me, ao todo e inteira.
Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.
Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.
Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.
De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.
Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.
Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.
Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...
Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.
Boba por esperar...
Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.
Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.
Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.
Ainda falta tanta argúcia.
Muito boba por que amo...
Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.
Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Atraiçoando as horas

As palavras são ditas
Seus significados adquirem formas repentinas
Volúpias voluntariosas
Madrugada adentra
Enquanto o sono se dilui
Riso e pausas
Reminiscências e oscilações
Pausa.
Circunscritos por um significado particular
Permeados por conchas e casulos.
Ressalvas cínicas e blefes,sarcásticos.
Os relógios pararam
Os ponteiros derreteram
Minta-me as horas..
Já deve ser muito mais do que tarde
O sol nasce na minha janela
E o mesmo Sol aparece na sua varanda
Eu te deixo ir...
Resta-me apenas a companhia do silencio
E o sono matutino.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Expressando

Um café expresso por favor.
Uma xícara média
Com apenas duas colheres de açúcar
Não muito doce
Nem muito amargo
Apenas forte.
Café expresso.
Café espremido
Filtrado, pressionado
Resultado espesso, escuro.
Expresso, rápido
Depressa.
Uma dose quente
Enquanto me expresso
Estravessa.
Uma xícara inteira
Para agüentar a pressa
Ravessa .
Uma chávena de café
Pequena,serena
No desfazer do açodamento
Ex-pressa.
O café expresso me expressa
Eu melhor expresso minhas impressões
Através de café expresso.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Comungando folhas

quinta-feira, 14 de abril de 2011
Metade
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
Oswaldo Montenegro
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Pro dia nascer feliz
Cazuza
Todo dia a insônia
Me convence que o céu
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido, fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora vam'bora
Estamos, meu bem, por um triz
Pro dia nascer felizPro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir
Todo dia é dia
E tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga
Uma hora aqui, outra ali
Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir...
Amanhecer...
Saudades de ver o dia nascendo
metade do céu já clareado
e a outra parte ainda escura
Observar atentamente
a substituição
da Lua pelo Sol
A noite não dormida
invertida
pela manhã desmaiada
A penenbra misturada
o amanhecer alaranjado
e a brisa que restou da madrugada
Saudades de vc, Fê!!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Meus prazeres Amelie Poulain

Caminho sozinha pela praia, é o fim de um dia ensolarado,o céu está alaranjado e roxo,sinto os nuances de cores penetrando minha pele.Ando só.descalça deixo pegadas na areia molhada,entre intervalos descompassados ondas atingem meus tornozelos espirrando uma água delicadamente gelada em meus joelhos.Quando uma onda mais forte me alcança,sinto o Mar subir até minha boca,deixando um sabor salgado em meus lábios.
Sinto a maresia, fundindo-se ao meu rosto, alastrando-se por todo meu corpo. Me sinto como uma derivação da brisa,protegida pela maresia,selando seu cheiro impregnado em minha memória.
Respiro.
Tomo meu primeiro gole. Temerosa de queimar a língua.
O que me dá prazer não é o Café em si, é o ato de tomar café.
Acordo, apressada.
Será que ainda estará lá?
Talvez não, já são 9 horas da manhã, já deve ter se esgotado.
Corro descalça ainda de pijama, alcanço a varanda que me leva ao jardim.
Caminho ao encontro. Repleta de esperança. Primeiro um pé depois o outro.
Piso na grama e sinto as gotículas da madrugada ainda presas nas hastes do gramado. Dou alguns passos para sentir melhor. Passeio sobre a terra molhada. Percebo meus dedos penetrando o solo.
O que me dá prazer não é diretamente o orvalho, mas minha expectativa correspondida por ele.
Abro a janela do carro.
Coloco minhas mãos para fora, esticando ao máximo que posso meus braços, procurando o vento. Tento segura-lo entre meus dedos, Ele escapa.
Busco enxerga-lo, só vejo a paisagem, o vento não foi feito pra ser visto. De onde vem e pra onde vai o vento. Imagino que viaje ele bastante. Deve conhecer muita gente.
Conte-me vento seus relatos e histórias do mundo!
Entrego-me curiosa quero ir junto, sinto-me purificada por meu encontro com o vento, Não consigo pensar em nada além dele.
O que me dá prazer é justamente o vento.
Um brinde ao Hedonismo permitido e legalizado
Aos prazeres discretos e ocultos
E que todos possam se perder nos encantos proibidos....

