"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
quinta-feira, 7 de março de 2013
MULHER, A Multiface da multidão
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Doce de nuvem
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Por que me sinto boba.

Por que me sinto boba.
Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.
Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.
Boba, não vejo, mas sim enxergo.
Boba, perco o sono e me atraso.
Boba,entrego-me, ao todo e inteira.
Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.
Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.
Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.
De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.
Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.
Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.
Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...
Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.
Boba por esperar...
Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.
Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.
Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.
Ainda falta tanta argúcia.
Muito boba por que amo...
Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.
Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.
sábado, 2 de julho de 2011
Achado:muito procurado,há tempos perdido...

Por muitos anos procurei esse fragmento de texto, pois na época que o li pela primeira vez quase nada entendi.
Perdemos-nos então...
Reencontramo-nos, agora.
Mas não sei se poderei dizer que o compreendi por absoluto .
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Comungando folhas

terça-feira, 29 de março de 2011
sábado, 4 de dezembro de 2010
Relevância do meio

Todas as coisas estão fadadas a um destino comum: inicio, meio e fim. Por mais fatídico que essa sina possa parecer é uma garantia
Por vezes o começo se dá de forma despercebida, normalmente passamos a notá-lo lá pela metade, não ingressamos nele conscientemente, ponderando talvez que ele que se introduza em nós e não o contrário. Em outros casos,o começo é planejado,minuciosamente arquitetado,nessa situação nota-se a presença alucinógena do controle sobre a vida.
Nem sempre o final anula a potencialidade do começo, muitas vezes servindo como arremate, a cereja no topo do bolo, o tão esperado Granfinale. Muitas vezes almejamos desesperados o fenecimento de um ciclo,de um sentimento de uma etapa.
Contudo o mais intrigante é o meio. Onde está o meio?
Como saber se vivemos a meia-fase dos fatos, a meia vida?
Parece que ao delinearmos o inicio idealizamos o desfeche final, esquecemos das relevâncias do meio. Tão poderosa ponte que estabelece a ligação entre as extremidades dos acontecimentos, que se rompida com a forma desejada não perpetua o caminho esperado. Causando o fenômeno da confusão, dúvidas a cerca de onde estávamos e pra onde vamos. Desvarios e desorientação.
Pensando nisso, principiarei a sentir mais a importância do meio...
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Respirar
Às vezes a dor é como respirar: um ato tão intrínseco no existir, tão rotineiro e necessário, que apenas de vez em quando,paramos,observamos e percebemos que respiramos.Raramente notamos o natural entrar e sair de ar dos pulmões e com mesma rara freqüência notamos que nós doemos constantemente.
Os momentos felizes vejo-os como verdadeiras apnéias, pequenas pausas da comunicação do ar atmosférico com as vias aéreas e quando muito prologandas encontram talvez a verdadeira forma da felicidade.
sábado, 1 de agosto de 2009
O pato mais feio

Estou sozinho no meio da multidão
Olhos medem-me, rotulam-me...
Simplificam toda minha existência em números e sintomas
Sou um refugiado das respostas binárias
Tentam incessantemente formatar-me com seus moldes
Minha personalidade é múltiplas vezes violentada
Adoeço...
Não há espaço para mim em âmbito algum
Sou agora o pato mais feio!!!
Cubro meu ego de imperfeições e defeitos
Estou cego, não me resta nem uma sobra piedosa de auto-estima
Protagonizo como Tifon,o deus grego da Seca
Rejeitado até mesmo pela propria mãe
Sou dentre os patinhos ,certamente,o mais feio!!
Enfastiado fujo de minha redoma
Cortando por definitivo as cordas do títere social
Ás quais mantive-me acorrentado com uma dependência quase umbilical
Concebo o caos ,filho de toda minha prostituição comportamental
Com estímulos lentos ,lépidos tento resgatar-me
Talvez possa cicatrizar minhas feridas narcísicas
Livre dos reflexos almejados
Passo a me ver não tão horroroso
Poderia eu ser um cisne?
Na realidade sempre o fui
Errante apenas em minha mudez acomodada
Mas para enxergar-me tão grande,alvo e gracioso
Tão belo cisne
Tive de suportar os açoitos, abandonos e mágoas
Dignos do pato mais fei o.

