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quinta-feira, 7 de março de 2013

Disfarce de cetim



O meu toque é de manso
De estremecido ,abraçado.
Com dedos desajeitados
Em sutil rubor,o rosto.
Medroso dizer no corpo.
No olho o torto
Olhar de lado.
Enviesado ouvido
Fingidor do não querer.
Naquele passo que tropeça.
Por uma ocasional hiperntesão*
De relance o disfarçado
Que aglomera o sensato.
  

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Na beira da varanda

( Marília ) 
Eterno retorno

No meio de todos os guardados
Conservados na mais severa nostalgia
Entre  rabiscos & lápis  desapontados
O caco de vidro, do copo quebrado,reluzia.
O cansaço se mantinha, afunilado entre o não saber como se sente.
Olhos fazendo mímica.
A pele dormente que arrepiava na  penumbra.
A sombra se punha
O sono já ilimitado e por horas ultrapassado
O corpo persistia.
O céu era de ametista.
-Um café sem açúcar,por favor.  

domingo, 15 de julho de 2012

Sempre ia



(Van Gogh )
Outrora eu vivia
Entretida na rígida rotina
Em constante monotonia
Presa entre as certezas ruídas.
Na maquiagem enraizada.

Outrora eu padecia
Pelas mil roupas que vestia
E depois despia.
Não me reconhecendo enquanto nua.

Sendo como nota repetida.
Habitada pela masoquista nostalgia
Das inúmeras peles que em mim cabia.

Antes não percebia
O tanto que meu corpo podia.

Agora me sinto vasta.
Não mais vazia.
Fluída em várias
Entre muitas vias.
Estrangeira em mim mesma
Infinita em minhas fronteiras.
Dispersa, disposta
Transposta em poesia.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Doce de nuvem



Ao olhar as nuvens pela janela do quadro ambulante, pensei que estivessem penduradas por fios de nylon, amarradas num prego preso no azul do céu.
Será possível tocar a textura das nuvens?Ou em uma trama de gotas, elas fugiriam com velocidade de vapor?
Parecem-me tão fluidas livres em seu planar. Viajam peregrinas pela umidade do ar.
Brisa sempre branca.
Talvez tenham gosto de algodão doce, que de tão açucarado fica preso nos cantos de dentro da boca.
Ora alvas, ora cinzas.
Talvez sejam geladas, frescas como o orvalho do gramado.
Às vezes um pouco mais salgadas, como as nuvens que sobrevoam o Mar...
Entre nuvens carregadas já saturadas e nuvens que apenas nublam, vem o ato distraído, lúdico., de tentar achar figuras escondidas.
As nuvens também choram e ganham corpo através das lágrimas
Transformam-se do claro para o escuro.
NuanceS de palidez, alvo inalcançável.  
Alguns dizem que são apenas água disfarçada...
Não sei se todos os dias são dia de nuvem.
Ou sei. Não sei...







domingo, 11 de março de 2012

Postergação





Gosto do gosto


Do sonho


De quando acordo


Tendo dormido


Ao seu lado


Gosto de fruto


Do seu rosto


No meu rosto


Deixando tudo fosco


Enquanto reclamo


Que ainda é pouco


Tudo,o todo.


O todo,tudo.


Quero o gozo do corpo


Com o cheiro elevando


Ficando cada vez mais composto


Sendo tudo nulo


Posto que é apenas um sonho.


Com gosto de acordado.


Lutando pra não ser morto.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ecoando passos



Será que dá jeito depois?

Quem vai querer?

Ouvir tocar a valsa que não fiz?

O mesmo lamentar de outrem

A severa nota a riscar

Como quem não quis

Era velha valsa sim

Retumbava por aí

Pótrm,nunca inagurará em mim.

Eu quis.

Mas quem mais quisera assim?

Ele não a tocara...

Cantei em solo.

Foi assim.

Assim que foi.

Ecoando entre motriz

Vós sabe que sim.

Mesmo que quiserás não

Quimerás?

Quisera a mim?

Entere milhares

Eu era a mil.

Era vil.

Deveria cessar

Mais nada entoar.

sábado, 19 de novembro de 2011

Aquela Ilusão

Os pés ,as pernas,os braços,as mãos:partes integradas que formam o cojunto de mim mesma.EU.

Eu aquele que de não mais esperar, passou a procurar.

A busca que por si só se justifica, no caminho que surpreende.

Às vezes preciso da ilusão de que ainda sou importante.

Passo dias e dias sem nada falar, enterro-me em meu casulo,oco de barulho porém abarrotado de vida.

Residindo em minhas próprias barragens, sendo existência em minhas correntezas.

Densa no reservatório de toda minha essência.

Nem ao menos sei em que esquina deixei o meu vazio. Quando fui corrompida por uma ilusória plenitude. Queria regressar aos belos encontros deixados na rua anterior.

Talvez o vazio não fosse um estar em mim, mas o todo.

Repleta ou não, em partes estou aqui, e hão de surgir aqueles que me desconheçam mais de perto.

Às vezes preciso de ilusões...

domingo, 18 de setembro de 2011

(Im)Paciência


(Chema Madoz)

No meio de tantas horas, tanta pressa...
Ao redor de toda essa gente em alta freqüência
Resta-me tanta exigência
Sobra tanta (Im)paciência...


A agenda, o compromisso, o horário
O sorriso por conveniência
A mansidão em aparência
À remunerada paciência.

Ausência em multidão
O improviso das expressões.
Pressa sem prece
Preces dispersas...

Ó ira d’alma,
Raiva em opulência
Inquietação em evidência.

Todos querem a subsistência da alma
Se bastar em solidão
No desencontrar das palmas.
Constato apenas impaciência.

(Im)Paciência!

Convoco clemência
Uma pausa, um gesto, um afago
Uma porção a mais de prudência.

Ah doce olhar sobre as singelezas
Imensa pureza!
Aí minha preferência!

Qualquer toque, palpite que evoque
Que vibre e transforme em
Uma leve existência.

Alguém que note e retoque
Essa antiquada tendência.
E me salve desta imensa violência.
Submergindo uma nova vivência!

Tenho (Im)Paciência...


Insisto com persistência
Num pouco mais de paciência.

Quero a calma em fluência.
Talvez sapiência.

Quiçá isso tudo seja mera inocência.
Quiçá um delírio
Quiçá uma reminiscência

Restam-me as reticências
...



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que me sinto boba.


"É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.E só o amor faz o bobo."
Clarice Lispector



Por que me sinto boba.

Percebo-me tola diante dos múltiplos universos ao meu redor, completamente boba; repleta da mais legítima inocência. Atinjo e persisto esse estar gracioso, que contorna o meu ser.

Sinto-me boba por que amo, e amo muito e quase tudo. Boba pois contemplo,sugo cada minúcia e retribuo com numerosos suspiros afetuosos.Pois amo abobada,diante da vida que experimento.

Boba, não vejo, mas sim enxergo.

Boba, perco o sono e me atraso.

Boba,entrego-me, ao todo e inteira.

Erroneamente boba. quando sorrio para aqueles de quem desconfio, obstante toda prudência.

Nem imaginam como é fácil frustrar um bobo.

Magoada finjo nada sentir, exalando uma fortaleza implacável que muitas vezes duvido me habitar.

De fato não sei se outros percebem em meus olhos o aglomerado de incertezas e palpitações, disfarço abarrotada de sagacidade.

Mas ainda me faço de boba para ludibriar os que tentam me iludir, quando alicio afirmativa diante de uma límpida mentira.

Espero que sendo boba possa ser mais feliz na minha malícia. Afinal o bobo também pode ser O lobo.

Como um parvo, falo espontaneamente o que sinto,abrindo absolutamente meu fluxo de pensamento. Entre idéias e devaneios: um amontoado de bobagens, em demasia sem sentido que cansam ouvidos enfastiados...

Boba,por perguntar coisas que não quero saber a resposta.

Boba por esperar...

Boba por acreditar, no que de fato não possui nenhuma verossimilhança com a realidade.

Boba, nas horas que tenho vontade de abraçar e me contenho,ainda mais gravemente tola quando calo diante do que anseio dizer.

Boba nas vezes que não sei onde colocar as mãos e inquieta entrelaço os dedos em meus cabelos, debilmente.

Ainda falta tanta argúcia.

Muito boba por que amo...

Estupidamente boba por perdoar.Irreparavelmente boba por nunca esquecer.

Confesso-me e condeno boba. Boba, por que vivo não apenas existo.