"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector Clarice Lispector
quinta-feira, 7 de março de 2013
MULHER, A Multiface da multidão
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Corpo de fundo

As palmas dos pés ardiam, os dedos adormecidos nada sentiam, já havia peregrinado por um longo caminho. Ela não tinha noção do espaço que ocupava no trajeto,mal enxergava o horizonte,não tinha um rumo exato apenas se movia.Estava cega,não conseguindo mirar nada alem de dois passos no chão,seu campo visual era embaçado e restrito,não cabia nenhum detalhe naquele momento.Seus joelhos tremiam já exaustos,as coxas formigavam estressadas pelo esforço que iam alem daquela estrutura.Sentia como se sua cabeça tivesse sido separada de seu corpo,sendo que seus membro movimentavam-se de forma fissurada,enquanto sua mente ainda estava parada,inerte naquele quarto do quinto andar.Parecia que haviam lhe tirado todo o sangue,invadida por um frio cortante em pleno verão de Janeiro.Não corria pois não haveria ar suficientemente capaz de agüentar seu desejo de sumir dali.Apenas caminha com pouco fôlego,incerta das ruas que a percorriam.Todo a pele erriçada,doía como um rio de navalhas a penetrar-lhe os póros.
-Será que falta muito ainda?-um pensamento desesperado que a suprimia entre a taquicardia.
Distraiu-se: tropeçou em monte de areia que se amontoava na frente de uma construção.Seguiu inabalada,com apenas alguns grãos de areias a esfoliar a camada macia de pele entre os dedos dos pés.Os passos eram duros,mecânicos ,destilavam frieza e indiferença.
Havia ficado nua,se despira ,ficando totalmente vulnerável àquele que não existia. Ela sobrara sem roupas no mundo que atravessa e rompe com todos os sonhos.Violada,porem ansiava em um desejo masoquista de dar mais ainda,mais do que podia,poderia talvez,despir-se da pele que a cobria.Quem sabe assim ele a acharia normal,toda aberta e disponível.
Sendo apenas carne quente, carne dele.
Estaria talvez enlouquecendo e se lembrou de quando aprendeu andar de bicicleta, havia a antiga promessa de que tudo talvez fosse como dominar a arte de pedalar; apenas controlando o destino e mantendo o equilíbrio. Mas o destino não tem forma e quando achamos que o encontramos a imagem perde o foco.O equilíbrio por sua vez escorre pelos vãos de nossos dedos,nos deixando em luto de sua fluída certeza.
-Que horas são?
Queria derrubar o Sol só para contemplar a terra queimando no fogo.
Como sangrava aquele corpo, amolecido pelo doer.
-Estou muito longe do mar?
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A Abelha camuflada

Dedicado à Melina Garcia Gorjon
Entre tantos zumbidos e murmúrios, ela voava.
Persistia.
Voava levemente, sem planos de vôo...
Entre zig e zags, continuava solitária sua doce jornada.
Sem destino, apenas movida por seus desejos.
Era pequena, mas tinha sonhos de Mel como toda Abelha.
Atraída pelas flores que a evocavam delicadamente com suas cores e aromas.
Era uma abelha escondida, quase sempre distraída.
Tinha altivez em seu planar.
Suas asas pareciam dançar.
Era uma abelha bela, sofrida....
Exalava cheiro de baunilha.
Raros são aqueles capazes de encarar os olhos grandes daquela açucarada voadora,
Era ela muito rápida e incapaz de captura.
Eram poucos que conseguiam perceber a pinta em seu semblante de Abelha.
Tinha expressão terna de menina, abelhinha.
Fêmea auto-gerada.
Partenogênese consumada.
Tinha força de Abelha Rainha.
Encanto majestoso.
Nobre de uma colméia libertaria.
Muitos a temiam...
Medo da abstrusa ferroada.
Eu há muito a esperava...
Desejava sua companhia de Mel.
Minha Abelha querida.
Resguarde a ferroada,pois dela brota a eterna partida.....
domingo, 21 de agosto de 2011
Minhas Mulheres
Boca de vermelho tinto
Cabelos curtos, cabelos longos
Negros, loiros, ruivos...
Mãos novas, mãos enrugadas
Hermanas, amigas!
Mãos dadas!
Amazonas, fadas
Princesas, estrelas
Guerreiras!
Entre mil Sofias e Alices
Lágrimas negras.
Águas-vivas!
Abraços prendidos
Perfume, gineceu
Doce deleite.
Maçãs douradas
Mulheres ousadas
Segredos dentre as saboneteiras.
Compreensão materna
Colo de amiga
Guardiãs,sacerdotisas!
Violento veneno
Força femínea
Delicadeza ardilosa.
Amoras
Margaridas
Meninas.
Nos seios o mistério
O íntimo que palpita
Por todos os desejos.
Minhas mulheres....