quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Nostalgia


Tem dias que sinto falta de mim mesma
Acordo, me procuro.
Será que continuo aqui?
Olho minhas mãos já não são as de outrora
Os porta-retratos negam-me respostas
Busco meus anseios
Então percebo que os sonhos antigos, os amores envelhecidos
São restos do que minha alma costumava ser
Quantas vezes morri em mim?Quantos lutos vesti?Quantas vezes renasci?
Sinto saudades do que fui e perdi
Sobra tanta ausência minha que me sinto vazia.

domingo, 2 de maio de 2010

Por que ás vezes me sinto como uma Ostra...


Ostra Feliz Não Faz Pérola

"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.
Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.
Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão..." Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.
O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."
Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos.
As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.

Rubem Alves


''(E o que mais dói) é viver num corpo que é um sepulcro que nos aprisiona (segundo Platão) do mesmo modo como a concha aprisiona a ostra.'' Frida Kahlo

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Moicano-Samurai

Bem aventurados aqueles que se alistam para a guerra
Vestem-se de armaduras e flechas
Enfrentam as mais temidas feras
Mergulham na doçura da solidão de um nobre samurai
Buscam a força dos mais valentes índios
Gritam hinos
Cegos,eles marcham
Confrontam os medos
Vencem e não comemoram
Perdem e se acostumam com a dor da derrota
Buscando sempre a vitoria.
Seguem
Ora samurais ,ora moicanos
Bravos guerreiros
Vivendo pra lutar
Lutando pra morrer
Morrendo pelas vidas...




Para o meu grande amor:André.
Que me ama mesmo quando não mereço e que me compreende mesmo quando nem eu mesma me entendo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Respirar

Às vezes a dor é como respirar: um ato tão intrínseco no existir, tão rotineiro e necessário, que apenas de vez em quando,paramos,observamos e percebemos que respiramos.
Raramente notamos o natural entrar e sair de ar dos pulmões e com mesma rara freqüência notamos que nós doemos constantemente.
Os momentos felizes vejo-os como verdadeiras apnéias, pequenas pausas da comunicação do ar atmosférico com as vias aéreas e quando muito prologandas encontram talvez a verdadeira forma da felicidade.

sábado, 1 de agosto de 2009

O pato mais feio


Estou sozinho no meio da multidão
Olhos medem-me, rotulam-me...
Simplificam toda minha existência em números e sintomas
Sou um refugiado das respostas binárias
Tentam incessantemente formatar-me com seus moldes
Minha personalidade é múltiplas vezes violentada
Adoeço...

Não há espaço para mim em âmbito algum
Sou agora o pato mais feio!!!
Cubro meu ego de imperfeições e defeitos
Estou cego, não me resta nem uma sobra piedosa de auto-estima
Protagonizo como Tifon,o deus grego da Seca
Rejeitado até mesmo pela propria mãe
Sou dentre os patinhos ,certamente,o mais feio!!

Enfastiado fujo de minha redoma
Cortando por definitivo as cordas do títere social
Ás quais mantive-me acorrentado com uma dependência quase umbilical
Concebo o caos ,filho de toda minha prostituição comportamental

Com estímulos lentos ,lépidos tento resgatar-me
Talvez possa cicatrizar minhas feridas narcísicas
Livre dos reflexos almejados
Passo a me ver não tão horroroso

Poderia eu ser um cisne?
Na realidade sempre o fui
Errante apenas em minha mudez acomodada
Mas para enxergar-me tão grande,alvo e gracioso
Tão belo cisne
Tive de suportar os açoitos, abandonos e mágoas
Dignos do pato mais fei o.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Simples como uma esponja



Como uma esponja, absorvo toda ''água'' perto de mim.

Sendo assim, em certos momentos não tenho mais lugar algum para absorver tanta ‘’água’’.

Me sinto encharcada.

Acabo chorando para poder ter mais espaço e voltar ao meu papel, para ser preenchida novamente.

Sinto-me obrigada e gosto de depurar as pessoas, porém muitas vezes esquecem de me lavar, e acabo ficando suja.

Enfim...

Absorvo, absorvo, absorvo mesmo e também limpo, porém queria que me lavassem também, para eu me sentir um pouco lembrada e valorizada.




por André


domingo, 12 de julho de 2009

Simbiose







Como um morango que nasce da terra, cultiva-se o amor.
Para nós, nosso amor é como uma música composta entre acordes agressivos de uma guitarra, combinados com a delicada melodia de um piano.
Juntos recitamos uma poesia em que ora somos versos simétricos e decassílabos, outrora versos brancos e livres.
Mergulhamos na piscina de emoções um do outro, absorvendo, purificando, renovando, como uma esponja, os sentimentos metamorfoseiam-se em água.
O meu peito é como uma cama para sua mente cansada e seu abraço tansforma-se em um cobertor protegendo-me do frio.
Neste conto de fada real, abolimos os sapatinhos de cristais e os vestidos luxuosos, não se mostra necessário espada ou escudo. Mantivemos apenas a imagem da paixão entre um príncipe e uma princesa.
Muitas vezes nosso romance se parece com o Titanic, enfrentamos icebergs, achamos que vamos afundar, então percebemos que com sacrifícios e cumplicidade emergimos a todas dificuldades.
Toda história escrita à giz pode ser efêmera, vulnerável às chuvas e ventos, cabe aos personagens cuidar bem do seu amor, para imortaliza-lo nos livros.


Por André e Aline



Foi ótimo escrever com você, meu amor...
Somos cúmplices até nisso...
Amo você...


André